A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência chegou a R$ 48,4 milhões em recursos eleitorais até esta quinta-feira (17), mantendo o senador na liderança da arrecadação entre os principais candidatos ao Palácio do Planalto. O valor é 17% superior aos R$ 41,1 milhões registrados pela campanha do presidente Lula (PT), candidato à reeleição.
Os números constam do DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e foram divulgados pela Folha de S. Paulo. Juntas, as campanhas dos seis candidatos considerados mais competitivos na disputa somam R$ 108,6 milhões em recursos provenientes de partidos, fundos públicos, pessoas físicas, financiamento coletivo e outras modalidades permitidas pela legislação.
Depois de Flávio e Lula aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com R$ 9,5 milhões; Romeu Zema (Novo), com R$ 4,5 milhões; Augusto Cury (Avante), com R$ 2,8 milhões; e Renan Santos (Missão), com R$ 2,2 milhões.
Os recursos podem ser destinados a despesas como propaganda eleitoral, produção de material gráfico, deslocamentos, aluguel de espaços, funcionamento de comitês, contratação de pessoal e transporte durante a campanha.
PL banca 96% da arrecadação de Flávio
A maior parcela dos recursos de Flávio Bolsonaro tem origem no próprio PL. Dos R$ 48,4 milhões registrados, R$ 46,1 milhões foram destinados pela legenda à candidatura, o equivalente a aproximadamente 96% do total.
Desde 9 de setembro, quando a campanha contabilizava R$ 44,4 milhões, outros R$ 4 milhões foram incorporados às receitas. Desse montante, R$ 3,2 milhões foram registrados pela direção nacional do PL como “doação de horas de voo”, referente ao fretamento de aeronaves para compromissos eleitorais.
A concentração de recursos partidários também ocorre na campanha de Lula. O petista passou de R$ 35,9 milhões para R$ 41,1 milhões, crescimento de R$ 5,2 milhões no intervalo analisado.
O PT responde por R$ 40,1 milhões, ou cerca de 97% da arrecadação total do candidato. Os recursos repassados pelo partido têm origem nos fundos públicos partidário e eleitoral.
Caiado aparece em terceiro lugar
Bem atrás dos dois primeiros colocados, Ronaldo Caiado acumula R$ 9,5 milhões. O candidato do PSD tinha R$ 6,6 milhões no início de setembro e recebeu outros R$ 2,9 milhões.
Uma particularidade da arrecadação de Caiado é o peso das contribuições de pessoas físicas feitas inicialmente ao diretório nacional do PSD e posteriormente destinadas à campanha presidencial.
Cerca de 78% dos recursos recebidos pelo diretório nacional da legenda e destinados à candidatura têm origem em contribuições individuais.
Entre os doadores citados está Carlos Manoel Politano Larangeira, que contribuiu com R$ 400 mil ao PSD. Ele esteve entre os empreiteiros da OAS denunciados pelo Ministério Público Federal em 2012 sob acusação de desvio de recursos públicos durante a gestão do ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf.
Também aparecem contribuições feitas ao partido pelo fundador e presidente do banco de investimentos BR Partners, Ricardo Fleury Cavalcanti de Albuquerque Lacerda, no valor de R$ 1 milhão, e pelo presidente do grupo JCPM, João Carlos Paes Mendonça, de R$ 500 mil.
Zema, Cury e Renan completam ranking
Romeu Zema ocupa a quarta posição, com R$ 4,5 milhões arrecadados. O Novo responde por aproximadamente 93% dos recursos, enquanto pessoas físicas representam os outros 7%.
Augusto Cury ultrapassou Renan Santos e chegou a R$ 2,8 milhões. O escritor colocou R$ 350 mil de recursos próprios na campanha, aproximadamente 12% da arrecadação. A direção nacional do Avante repassou R$ 2,3 milhões por meio dos fundos eleitoral e partidário.
Renan Santos contabiliza R$ 2,2 milhões. O financiamento coletivo responde por 87% da arrecadação, enquanto 12% vêm de pessoas físicas e 1% do Missão.
Arrecadação perde ritmo em setembro
Os dados mostram ainda redução no ritmo de entrada de recursos nas campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula desde o início de setembro, período marcado pela crise no Supremo Tribunal Federal envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Até 31 de agosto, Flávio havia contabilizado R$ 43,4 milhões. Desde 1º de setembro, foram registrados mais R$ 5 milhões. Lula tinha R$ 35,3 milhões até o fim de agosto e recebeu outros R$ 5,7 milhões desde então.
O perfil dos recursos privados recebidos pelas duas campanhas é diferente. Entre as contribuições de pessoas físicas destinadas a Lula desde setembro, a maior parte varia de R$ 100 a R$ 2 mil. No período analisado, essas doações totalizaram R$ 712 mil.
A campanha de Flávio registrou aproximadamente R$ 1 milhão em contribuições de pessoas físicas no mesmo período, com aportes concentrados em valores maiores. Entre eles estão duas doações de R$ 100 mil cada, feitas pelo CEO da Ultrapar, Rodrigo de Almeida Pizzinatto, e pelo empresário e produtor rural Inácio José Webler.
Também foram registrados R$ 122 mil de Taicia Fofanoff Junqueira e R$ 106.698,72 atribuídos à GMT Tecnologia, responsável pela plataforma de financiamento coletivo eleitoral Contribua.
A prestação parcial de contas das campanhas foi entregue à Justiça Eleitoral entre 9 e 13 de setembro e reúne a movimentação financeira ocorrida desde o início da campanha até 8 de setembro. Os dados de arrecadação e despesas continuam sendo atualizados no DivulgaCandContas ao longo da disputa.







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