A defesa de Daniel Vorcaro encaminha nesta sexta-feira (18) ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido de revogação da prisão preventiva do ex-controlador do Banco Master, informa Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. A solicitação será apresentada pelo advogado Sérgio Leonardo.
Será a segunda tentativa de libertar Vorcaro desde que ele voltou a ser preso, em 4 de março. O primeiro pedido foi apresentado em junho e rejeitado pelo ministro André Mendonça, então responsável pela análise das medidas relacionadas às investigações do caso Master.
Os processos continuam formalmente sob a relatoria de Mendonça, mas Fachin passou a centralizar novas providências relacionadas ao caso e determinou a suspensão de novas medidas enquanto o STF discute a condução das apurações. Outras defesas de investigados também têm dirigido pedidos ao presidente da Corte nesse contexto. (UOL)
Caso Fachin rejeite a solicitação, os advogados de Vorcaro pretendem recorrer para que a manutenção da prisão seja analisada pelo plenário do Supremo.
Defesa cita prazo para reavaliação
O Código de Processo Penal determina que a necessidade da prisão preventiva seja reavaliada a cada 90 dias pelo juiz ou tribunal responsável pela medida, sempre por meio de uma decisão fundamentada.
Vorcaro completou 180 dias preso em 31 de agosto. A defesa pretende utilizar o tempo transcorrido como um dos argumentos para pedir uma nova análise dos motivos que levaram à decretação da prisão.
A prisão preventiva não representa uma condenação antecipada. A medida cautelar pode ser mantida quando a Justiça entende que a liberdade do investigado oferece riscos à investigação, à aplicação da lei penal ou à ordem pública.
Depoimento teve acusações contra a PF
O novo pedido ocorre após um depoimento prestado por Vorcaro em 27 de agosto, na Papudinha, a um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça. A oitiva foi articulada pelo advogado Daniel Bialski, que também integra a defesa do ex-banqueiro.
No depoimento, Vorcaro afirmou que vinha sofrendo “graves intimidações, ameaças e torturas psicológicas” por parte de agentes da Polícia Federal durante seus deslocamentos.
O ex-banqueiro também acusou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, de dificultar e paralisar as negociações para um possível acordo de colaboração premiada.
Segundo Vorcaro, delegados teriam se recusado a ouvir as informações que ele pretendia fornecer porque as revelações poderiam envolver o comando da corporação. De forma genérica, o ex-banqueiro afirmou ainda que pretendia delatar integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As declarações não foram acompanhadas, no depoimento, da apresentação de provas ou do detalhamento dos nomes e dos fatos que poderiam integrar uma eventual colaboração. As acusações feitas por Vorcaro contra integrantes da Polícia Federal também não foram comprovadas.
Ex-banqueiro voltou à prisão em março
Vorcaro havia sido preso inicialmente em 17 de novembro de 2025, na véspera da deflagração da Operação Compliance Zero e da liquidação do Banco Master pelo Banco Central.
Ele foi solto ainda naquele mês, mediante o uso de tornozeleira eletrônica, mas voltou ao cárcere em 4 de março de 2026. A nova prisão foi decretada sob suspeita de interferência nas investigações, ocultação de patrimônio e financiamento de ações de intimidação.
Agora, a defesa tentará demonstrar que os fundamentos utilizados para justificar a prisão preventiva não permanecem atuais. Caberá ao STF decidir se Vorcaro poderá responder às investigações em liberdade ou se continuará preso.







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