A crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu uma nova frente na disputa pelo comando do Senado. Segundo reportagem do jornal O Globo, a cúpula do PL pretende aproveitar o embate para aumentar a pressão sobre Davi Alcolumbre (União-AP) e antecipar para a campanha eleitoral deste ano uma batalha que será decidida apenas em 2027.
A estratégia passa por cobrar dos candidatos do partido ao Senado um compromisso público de não votar em Alcolumbre na próxima eleição para a presidência da Casa. O objetivo é tentar formar, antes mesmo do resultado das urnas, uma bancada alinhada à substituição do senador no comando do Legislativo.
Nesse movimento, a resistência de Alcolumbre em colocar em votação pedidos de impeachment contra Moraes deve ser transformada em argumento eleitoral. O PL pretende associar a renovação do Senado à promessa de uma mudança na relação da Casa com o Supremo.
Crise no STF abre espaço para ofensiva
Dirigentes do PL avaliam que o confronto entre Moraes e Mendonça criou um ambiente favorável para intensificar a pressão. Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram a defender Mendonça após a decisão do ministro de afastar, nesta terça-feira (8), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O grupo também intensificou as críticas a Moraes e voltou suas atenções para Alcolumbre, apontado pelos bolsonaristas como responsável por impedir o avanço dos pedidos de impeachment apresentados contra o ministro do STF.
Nos cálculos partidários, duas bandeiras podem, assim, caminhar juntas na reta final da campanha: a ofensiva contra Moraes e a eleição de uma bancada de senadores capaz de mudar a postura da Casa diante do Supremo a partir de 2027.
Alcolumbre passa a ocupar papel central nessa narrativa, não apenas pela resistência ao impeachment de Moraes, mas também por ser visto como obstáculo à mudança pretendida pelo PL no comando do Senado.
Alcolumbre se reaproxima de Lula
A ofensiva acontece depois de uma série de mudanças na relação de Alcolumbre com os principais grupos políticos. Após a derrota da indicação de Jorge Messias para o STF, o presidente do Senado se aproximou da oposição e reconstruiu pontes com integrantes do campo que atualmente apoia Flávio Bolsonaro.
A aproximação, entretanto, não produziu um entendimento para a eleição da presidência do Senado em 2027. Alcolumbre concluiu que o PL e seus aliados pretendem lançar uma candidatura própria ou apoiar um nome identificado com a direita.
O líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), é um dos interessados na disputa. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também aparece entre os nomes considerados nesse campo político.
Interlocutores de Alcolumbre afirmam que a dificuldade de reconstruir uma aliança com o PL influenciou uma nova mudança de estratégia. Sem contar com os votos do principal partido de oposição, o senador voltou a estreitar a relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tenta encontrar no campo governista apoio para uma eventual recondução.
PL quer compromisso dos candidatos ainda na campanha
Enquanto o PL prepara a ofensiva eleitoral, Alcolumbre tenta evitar que a crise do Supremo seja transferida para o Senado antes das eleições. No último fim de semana, ele permaneceu em Brasília e conversou com líderes partidários, indicando que não pretende pautar medidas contra ministros do STF antes do primeiro turno.
O presidente do Senado também sinalizou que continuará resistindo às cobranças para abrir um processo de impeachment contra Moraes. Segundo relatos feitos ao Globo, Alcolumbre afirmou a interlocutores que, caso aumente a pressão para afastar Moraes, poderia colocar também em discussão um pedido contra Mendonça.
A sinalização foi interpretada por líderes como uma tentativa de impedir que a crise seja direcionada exclusivamente contra Moraes.
O PL, por sua vez, pretende levar a disputa diretamente aos palanques. Com duas vagas para senador em jogo em cada estado nas eleições deste ano, a legenda aposta na ampliação de sua bancada e em uma composição mais à direita para aumentar as chances de derrotar Alcolumbre na eleição interna de fevereiro de 2027.
Ao exigir previamente de seus candidatos o compromisso de não apoiar o atual presidente da Casa, o partido tenta fazer da sucessão no Senado um tema da própria campanha eleitoral, ao lado da defesa do impeachment de Moraes.







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