O afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal foi recebido com satisfação por integrantes do governo de Donald Trump. Segundo fontes da administração estadunidense ouvidas pelo UOL, autoridades dos EUA acompanham de perto a crise que atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF) e culminou, nesta terça-feira (8), na saída do diretor-geral da PF por determinação do ministro André Mendonça.
Um funcionário ligado à diplomacia de Trump afirmou, em tom de celebração, que “já era hora” de Andrei ser afastado. O episódio acrescenta um novo capítulo às tensões que já vinham envolvendo autoridades brasileiras e integrantes do governo dos EUA.
Além das informações produzidas pela representação diplomática em Brasília, a administração Trump recebe relatos do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e do comentarista Paulo Figueiredo. Este último mantém interlocução com integrantes do governo dos EUA, entre eles Darren Beattie, conselheiro-sênior para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado.
Atrito envolvendo Andrei começou antes da crise no STF
A relação com Andrei Rodrigues já havia atravessado um momento de forte tensão em abril. Na ocasião, uma operação do ICE, agência de imigração dos EUA, prendeu em Miami o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem.
Ramagem havia sido condenado no processo sobre a tentativa de golpe de Estado, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, que também resultou na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ex-chefe da Abin deixou o Brasil antes de ser preso para cumprir a pena.
Segundo o UOL, o delegado Marcelo Ivo Carvalho, que atuava desde 2023 como oficial de ligação da PF junto ao ICE na Flórida, incluiu Ramagem entre os alvos da agência estadunidense em razão da condenação.
Após a prisão, aliados bolsonaristas nos Estados Unidos acionaram interlocutores políticos em Washington. Ramagem acabou solto e Carvalho teve o visto cassado e foi expulso do país.
A medida também teria servido como reação de Darren Beattie à restrição imposta pelo governo Lula à entrada dele no Brasil para visitar Bolsonaro na prisão, no início deste ano. Em resposta ao episódio envolvendo o delegado brasileiro, Andrei Rodrigues determinou que um agente dos EUA que trabalhava em Brasília deixasse imediatamente o país.
Governo dos EUA avalia retomada da Magnitsky contra Moraes
A crise mais recente também recolocou Alexandre de Moraes no radar da administração Trump. Integrantes do governo dos EUA disseram ao UOL considerar uma “aposta segura” que sanções previstas na Lei Global Magnitsky sejam novamente impostas ao ministro nas próximas semanas.
As sanções haviam sido retiradas após negociação entre os presidentes Lula e Donald Trump. A crise atual, porém, tem origem distinta daquela que levou Washington a sancionar Moraes anteriormente, quando autoridades estadunidenses acusaram o magistrado de violar direitos humanos em razão de decisões relacionadas à liberdade de expressão nas redes sociais.
Agora, o desgaste está relacionado à divulgação, por decisão de André Mendonça, de supostas mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao número de Moraes. Questionamentos também aumentaram após a divulgação de informações sobre o contrato do escritório de advocacia da mulher do ministro com o Banco Master.
Moraes é alvo antigo de críticas de aliados de Trump, entre eles Jason Miller, ex-porta-voz do republicano, e o empresário Elon Musk.
Crise também é observada sob perspectiva eleitoral
Integrantes do Departamento de Estado avaliam que as consequências políticas do episódio podem ultrapassar o Supremo e atingir o presidente Lula, candidato à reeleição em outubro.
Em conversas com o UOL, representantes da gestão Trump lembraram que Lula “defendeu Moraes em conversas com o presidente dos EUA”, numa referência às negociações que antecederam a retirada das sanções. Apesar disso, disseram que, neste momento, são apenas “observadores” dos acontecimentos.
Não existe consenso dentro da administração estadunidense sobre qual postura adotar diante da eleição brasileira. Uma ala do Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, defende interferência no processo eleitoral em benefício de Flávio Bolsonaro, aliado de Trump que prometeu conduzir uma eventual transição de poder em conjunto com Washington.
Outro grupo defende uma postura pragmática e maior distanciamento da disputa, para evitar um rompimento com Brasília caso Lula conquiste um novo mandato.
Rubio está em viagem pela América do Sul, mas deixou o Brasil fora do roteiro. A agenda contempla Colômbia, Equador e Peru, atualmente governados por aliados de direita de Trump.
Em Washington, a Embaixada do Brasil realizará uma celebração pelo Dia da Independência na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA). Segundo as fontes ouvidas pela reportagem original, não há expectativa de participação de representantes do Departamento de Estado no evento.







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