PL suspende salário de Bolsonaro após condenação no STF

Ex-presidente perde remuneração e é afastado das atividades partidárias por causa da suspensão dos direitos políticos

O Partido Liberal suspendeu o salário e todas as atividades partidárias de Jair Bolsonaro após a confirmação do trânsito em julgado de sua condenação no Supremo Tribunal Federal. A medida, comunicada internamente, encerra temporariamente o vínculo do ex-presidente com a legenda que o acolheu em 2023 como presidente de honra.

Segundo o comunicado, o partido está obrigado a cumprir a legislação eleitoral, que impede a atuação partidária de filiados com direitos políticos suspensos. A decisão ocorre dias depois de o STF confirmar sua condenação na ação que apurou tentativa de golpe de Estado.

Entrevistas internas já discutiam salários

Até então, Bolsonaro recebia cerca de R$ 42 mil mensais pagos com recursos do Fundo Partidário. No documento divulgado pelo PL, a sigla cita que “as respectivas atividades partidárias de nosso líder estarão igualmente suspensas, inclusive a sua remuneração, enquanto perdurarem os efeitos do acórdão condenatório na AP 2668”.

A suspensão ocorre após meses de debate interno. Em setembro, quando a Primeira Turma do STF formou maioria pela condenação, Valdemar Costa Neto pediu uma avaliação jurídica sobre a continuidade dos pagamentos. Naquele momento, os advogados do partido concluíram que não havia impedimento legal — entendimento que mudou com o trânsito em julgado. informa o Diário do Centro do Mundo.

Presidência de honra e benefícios acumulados

Bolsonaro foi nomeado presidente de honra do PL em março de 2023, ainda no exterior. Embora simbólica, a função lhe garantia remuneração mensal sugerida pela direção da legenda, inicialmente estimada em R$ 46 mil.

O valor se somava a duas aposentadorias: cerca de R$ 41 mil como ex-deputado federal e R$ 12 mil referentes à pensão militar como capitão do Exército. Este último benefício também pode ser afetado pela condenação.

Patente em risco no Superior Tribunal Militar

O STF determinou que o acórdão seja encaminhado ao Superior Tribunal Militar, que deverá avaliar a manutenção ou não da patente de capitão do Exército. Caso o STM decida expulsá-lo, Bolsonaro perde a pensão e passa à condição de “morto ficto”, situação em que o benefício é transferido à esposa, Michelle Bolsonaro, e à filha caçula, Laura, de 15 anos.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading