A Polícia Federal apura a existência de uma sacola que teria sido transportada em um voo com destino a Brasília e que, segundo investigação, poderia estar ligada ao senador Ciro Nogueira. O caso envolve declarações de um piloto e mensagens interceptadas entre empresários e operadores financeiros.
O material investigado inclui registros de conversa entre o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o operador financeiro Fabiano Zettel, além do depoimento do piloto Mauro Caputti Mattosinho.
Segundo o relato, uma sacola de papel teria sido entregue durante voo em aeronave executiva, com a suspeita de conter dinheiro em espécie, o que passou a ser analisado no âmbito da investigação.
Investigação da polícia federal e mensagens apontadas
A Polícia Federal afirma que houve troca de mensagens entre Vorcaro e Zettel mencionando possíveis pagamentos, incluindo a expressão “Espécie Ciro 350k”, o que levantou suspeitas sobre a destinação de valores.
Os investigadores, no entanto, corrigiram a linha do tempo e apontaram que a conversa ocorreu em agosto de 2025, e não em 2024 como inicialmente interpretado, um ano após a viagem citada no caso.
A PF destacou que a correção não encerra a apuração nem exclui outras análises sobre a origem e o destino dos valores mencionados nas comunicações investigadas.
Relato do piloto e versão sobre o transporte em voo
O piloto Mauro Caputti Mattosinho declarou que transportou uma sacola de papel que lhe teria sido entregue com orientação de “cuidado especial” e que o volume sugeria conter dinheiro em espécie.
Ele relatou ainda que gravou um vídeo durante o trajeto para registrar o que estava transportando, afirmando ter desconfiado do conteúdo da embalagem durante o voo.
De acordo com o depoimento, ao pousar em Brasília, houve diálogo entre passageiros mencionando a expectativa de encontro com o senador Ciro Nogueira, o que reforçou sua interpretação sobre o possível destinatário.
Posicionamentos, negativas e reações das partes
O advogado de Roberto Augusto Leme da Silva negou qualquer transporte de valores e afirmou que não há vínculo com o ex-banqueiro citado na investigação.
A empresa TAP Táxi Aéreo Piracicaba declarou que desconhece os fatos narrados e afirmou atuar em conformidade com regras de compliance e legislação vigente.
Já a defesa de Daniel Vorcaro informou que não irá comentar o caso, enquanto o senador Ciro Nogueira não se manifestou até o momento, mesmo após contato dos investigadores e da imprensa.
Relato de ameaças e situação atual do piloto
Após colaborar com a investigação, o piloto afirmou ter passado a receber ameaças e diz que precisou mudar de residência diversas vezes por questões de segurança pessoal.
Ele relata ainda dificuldades para retomar a carreira na aviação executiva, setor em que atuou por cerca de 17 anos, alegando ter sido isolado profissionalmente após o caso vir a público.
O piloto afirma que avalia medidas de proteção, mas optou por não ingressar em programas oficiais de proteção a testemunhas por considerar o impacto em sua rotina e liberdade pessoal.





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