Empresário da Farra dos Guardanapos estava em voo com Hugo Motta e Ciro Nogueira investigado pela PF

Fernando Cavendish, ex-dono da Delta e personagem da Farra dos Guardanapos, estava em jatinho com Hugo Motta e Ciro Nogueira em voo que virou alvo da Polícia Federal.

O empresário Fernando Cavendish, ex-dono da construtora Delta e um dos personagen centrais do escândalo conhecido como ‘Farra dos Guardanapos’, estava entre os passageiros do voo particular que trouxe o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) da ilha de São Martinho, no Caribe, em abril de 2025. O caso está sendo investigado pela Polícia Federal.

A ‘Farra dos Guardanapos’ foi um jantar no luxuoso  Hotel Le Bristol, em Paris, em 2009, com a participação do então governador do Rio, Sérgio Cabral (MDB), secretários estaduais e empresários, marcado pelo uso de guardanapos na cabeça, vinhos caros e ostentação. O caso ficou associado à Opéração Lava Jato no Rio, com vários participantes presos por corrupção, incluindo o próprio Cabral.

O jatinho vindo do Caribe pousou no Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), terminal voltado para aviação executiva. Segundo a investigação, o piloto teria passado com bagagens por fora do sistema de raio-X no desembarque. A PF ainda apura o conteúdo das malas e a quem pertenciam.

Além de Motta e Ciro Nogueira, também estavam no voo os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). Como há parlamentares com foro privilegiado entre os passageiros, o caso foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Quem é Fernando Cavendish

Fernando Cavendish ficou nacionalmente conhecido por comandar a empreiteira Delta Construções, empresa envolvida em investigações de corrupção durante os governos do Rio de Janeiro.

Em 2018, no âmbito da antiga Lava Jato fluminense, ele foi condenado na Operação Saqueador, acusado de participar de um esquema que teria desviado cerca de R$ 370 milhões dos cofres públicos. Na decisão, o então juiz Marcelo Bretas apontou Cavendish como um dos principais beneficiários do esquema.

Posteriormente, o empresário firmou acordo de colaboração e relatou pagamentos de propina ao ex-governador Sérgio Cabral.

Cavendish também se tornou símbolo da crise política do Rio ao participar da ‘Farra dos Guardanapos‘.

O caso veio à tona em 2012, quando foram divulgadas as fotos do grupo em Paris. O episódio repercutiu nacionalmente por mostrar a proximidade entre autoridades públicas e empreiteiros investigados, além de ostentação em meio a denúncias de corrupção.

Investigação no STF

O inquérito sobre o voo do Caribe foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A PGR poderá decidir entre três caminhos:

  • manter o caso no STF, se houver indícios contra parlamentares;
  • enviar a investigação para a primeira instância em São Paulo;
  • solicitar novas diligências antes de opinar.

Até o momento, os parlamentares citados não haviam se manifestado sobre a presença de Cavendish no voo ou eventual relação com o empresário.

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