A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2026, prevista para esta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deve confirmar o período mais forte da economia brasileira neste ano. Economistas avaliam que o crescimento foi impulsionado principalmente pelo consumo das famílias, pela produção de petróleo e pelo avanço das exportações.
Apesar do cenário positivo no começo do ano, especialistas alertam para uma desaceleração econômica ao longo do segundo semestre, em meio às pressões inflacionárias, aos juros elevados e às incertezas provocadas pelo cenário internacional. As informações são de Miriam Leitão, de O Globo.
Economia em alta
O Monitor do PIB do Fundação Getulio Vargas apontou crescimento de 0,9% no primeiro trimestre. Segundo a coordenadora do estudo, Juliana Trece, o desempenho mostrou força disseminada entre diversos setores da economia.
Entre os destaques aparecem a indústria extrativa, impulsionada pela produção de petróleo, além do setor de serviços, especialmente os segmentos ligados à informação e comunicação digital.
“Esse resultado realmente veio bom, mostrando força na economia. Especialmente porque foi bastante disseminado”, afirmou a economista.
Além do petróleo e dos serviços, o agronegócio também continuou contribuindo para o crescimento, embora com impacto menor do que o observado em anos anteriores.
Inflação preocupa
Mesmo com o resultado positivo esperado para o PIB, economistas avaliam que os próximos meses devem ser mais desafiadores para a economia brasileira.
Após a divulgação do IPCA-15 de maio, o economista Fábio Romão, da 4intelligence, revisou sua projeção de inflação para 2026 de 5,2% para 5,4%.
Segundo Juliana Trece, o aumento do preço do petróleo no mercado internacional pode gerar pressão em toda a cadeia produtiva, elevando custos logísticos, fretes e preços ao consumidor.
Ela também destacou que o ambiente externo, marcado pelos efeitos da guerra internacional, e o cenário eleitoral brasileiro aumentam as incertezas para o segundo semestre.
Consumo sustentou crescimento
O economista Antônio Ricciardi, do Banco Daycoval, projeta crescimento de 0,8% no primeiro trimestre na comparação com os últimos meses de 2025.
Segundo ele, o desempenho foi sustentado principalmente pelo consumo das famílias, favorecido pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e pela valorização real do salário mínimo.
As exportações de soja e petróleo também ajudaram a impulsionar a atividade econômica no período. Por outro lado, Ricciardi afirma que os investimentos seguem pressionados pelos juros elevados.
“A formação bruta de capital fixo deve ter um desempenho negativo, em função da taxa de juros em patamar elevado que naturalmente constrange o investimento”, avaliou.
Segundo semestre mais fraco
A expectativa predominante no mercado é que o ritmo de crescimento da economia diminua ao longo do ano.
Embora programas do governo federal, como o MOVE Brasil e o Desenrola 2.0, possam estimular parte da atividade econômica, analistas consideram que as medidas não serão suficientes para manter o mesmo desempenho observado no primeiro trimestre.
A previsão do FGV Ibre é de crescimento de 1,7% para o Brasil em 2026, enquanto parte do mercado financeiro trabalha com projeções próximas de 2%.







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