Jair Bolsonaro rejeita apoio a Alcolumbre e defende candidato do PL ao Senado

Ex-presidente quer candidatura própria em 2027 e prioridade para anistia; na Câmara, partido admite negociar apoio à reeleição de Hugo Motta

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Jair Bolsonaro (PL) defendeu que seu partido dispute a presidência do Senado em 2027 e rejeitou a possibilidade de apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP). Segundo relatos feitos à coluna de Gustavo Uribe no portal da CNN Brasil, o ex-presidente reafirmou essa posição em conversa com familiares após o resultado do segundo turno das eleições.

Na avaliação apresentada por Bolsonaro, o tamanho conquistado pelo PL no Congresso deve se traduzir em protagonismo na escolha dos dirigentes do Legislativo. A orientação contraria os movimentos de Alcolumbre para atrair apoio de integrantes da legenda e permanecer no comando da Casa.

O ex-presidente também defendeu que os parlamentares do partido priorizem, no início da próxima legislatura, a aprovação de uma anistia geral e irrestrita aos envolvidos na trama golpista e nos atos de 8 de janeiro.

Anistia entra na disputa pelo Senado

Alcolumbre tem sinalizado à direita a possibilidade de apoiar uma anistia como parte da articulação para obter votos de ao menos uma parcela do PL.

A posição de Bolsonaro, porém, reforça a resistência a esse entendimento. Para ele, o partido deve apresentar uma candidatura própria, em vez de associar sua principal pauta à continuidade do atual presidente do Senado.

O cenário coloca a anistia no centro das negociações pelo comando da Casa. Enquanto Alcolumbre busca ampliar sua base de apoio, Bolsonaro procura manter a bancada alinhada a uma disputa independente.

PL admite acordo com Hugo Motta

Na Câmara dos Deputados, a avaliação dentro do PL é diferente. Integrantes da legenda consideram possível apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB), desde que ele ofereça espaço ao partido e sinalize compromisso com pautas de interesse da oposição.

Uma eventual composição envolveria a participação na Mesa Diretora, responsável pela condução dos trabalhos da Câmara, nos moldes do acordo existente na atual gestão.

O PL também quer negociar o comando de comissões consideradas estratégicas, entre elas a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a de Relações Exteriores e a de Segurança Pública.

Comissões são vistas como instrumentos de pressão

A ocupação desses espaços integra a estratégia do partido para pressionar o novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A legenda pretende utilizar instrumentos de fiscalização, como convocações, convites para prestar esclarecimentos e pedidos de informação.

Assim, a negociação na Câmara vai além da escolha do presidente: inclui a distribuição de posições que podem dar à oposição maior influência sobre a agenda legislativa e o acompanhamento das ações do Executivo.

Hugo Motta deve se reunir com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para buscar apoio à sua recondução. O entendimento dependerá das condições oferecidas à legenda nas negociações.

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