A disputa pela presidência do Senado pode abrir caminho para uma negociação que reúna os interesses de Davi Alcolumbre (União-AP) e do bolsonarismo. A informação foi publicada pelo blog da Andreia Sadi no portal g1. O atual comandante da Casa avalia a possibilidade de construir um entendimento que envolva a redução da pressão por impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a discussão de um eventual indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo interlocutores, a movimentação tem como objetivo viabilizar a reeleição de Alcolumbre à presidência do Senado. Uma aproximação com o grupo de Bolsonaro poderia diminuir a resistência à sua permanência e dificultar a articulação de uma candidatura alternativa pela direita.
Ainda não há acordo fechado. A hipótese, discutida nos bastidores, conecta a formação de uma maioria no Senado a duas pautas de interesse do bolsonarismo: a situação judicial do ex-presidente e o enfrentamento a integrantes do Supremo.
Aproximação pode enfraquecer adversários
Na avaliação de interlocutores que acompanham as conversas, um entendimento com o bolsonarismo mudaria as condições da disputa pelo comando da Casa.
Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) são nomes considerados por uma ala da direita para concorrer à presidência do Senado. A construção de um acordo com Alcolumbre poderia reduzir o espaço político para essas alternativas, ao aproximar do atual presidente senadores que hoje resistem à sua continuidade.
O cálculo de Alcolumbre seria, portanto, transformar a negociação sobre pautas sensíveis ao grupo de Bolsonaro em apoio para a eleição interna. Integrantes do próprio PL reconhecem que um eventual entendimento também atenderia aos interesses eleitorais do presidente do Senado.
Pacificação é argumento para negociação
Alcolumbre tem defendido nos bastidores a necessidade de pacificação e de um novo ambiente de diálogo entre os Poderes após as eleições. Esse seria o argumento público para uma articulação destinada a reduzir as tensões entre o Congresso e o STF.
A negociação em análise combinaria essa agenda institucional com a tentativa de assegurar votos para sua reeleição. Ao conter a pressão contra ministros do Supremo e abrir uma discussão sobre a situação de Bolsonaro, Alcolumbre buscaria construir condições para uma aproximação com o PL — legenda que terá a partir de 2027 a maior bancada no Senado.







Deixe um comentário