A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teria “orientado” a administração, nos Estados Unidos, de recursos destinados à produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em manifestação incorporada ao caso Master, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também classificou como “aporte ilícito” o dinheiro enviado pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao projeto audiovisual.
As informações constam de documentos que vieram a público após a retirada do sigilo do caso Master, na noite desta quinta-feira (10). A manifestação da PGR é de julho de 2026 e analisa elementos levantados pela Polícia Federal sobre o financiamento da produção.
Segundo Gonet, há indícios que justificam o aprofundamento das investigações sobre a origem e o destino dos recursos.
“A representação conclui que as coincidências entre os valores previstos no contrato de financiamento e as remessas internacionais identificadas na análise financeira, somadas às comunicações extraídas do aparelho celular d e DANIEL VORCARO, constituem indícios relevantes de que as pessoas jurídicas referidas foram utilizadas para operacionalizar aportes ilícitos destinados ao filme”, diz a manifestação, datada de julho de 2026.”
PGR aponta atuação de Eduardo nos Estados Unidos
A manifestação também atribui a Eduardo Bolsonaro participação na administração dos recursos fora do Brasil. O ex-deputado vive nos Estados Unidos desde março de 2025.
“A autoridade policial levanta a hipótese de que EDUARDO BOLSONARO orientou a gestão dos recursos em solo estrangeiro”, diz a PGR.
A conclusão menciona uma captura de tela de uma mensagem atribuída a Eduardo, na qual ele aparece tratando do envio de dinheiro nos Estados Unidos.
Desde que se mudou para o país, o ex-deputado tem mantido articulações políticas junto à Casa Branca com o objetivo de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) em questões relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.
Eduardo nega participação em irregularidades relacionadas ao financiamento do filme.
Flávio Bolsonaro também entrou na investigação
Em concordância com a Polícia Federal, Gonet defendeu a abertura de uma investigação específica sobre o financiamento de “Dark Horse” e a possível participação de Eduardo e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.
O pedido foi acolhido no STF, com a abertura de procedimento destinado a investigar suspeitas de “lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção”. Flávio também nega irregularidades.
A PGR pediu ainda um levantamento das propostas legislativas “apresentadas” ou “endossadas” pelo senador. O objetivo é identificar se Flávio adotou alguma iniciativa parlamentar que pudesse beneficiar o Banco Master e se existiria, segundo Gonet, uma “lógica de causa e efeito no negócio cinematográfico”.
“O apanhado de achados mostra que, efetivamente, as investigações estão no seu momento inicial, carecendo de aprofundamento, igualmente e sobretudo, no que toca à prática de ato típico da função parlamentar que possa ser atribuída, numa lógica de causa e efeito, ao negócio cinematográfico mencionado”, diz o texto.
A manifestação deixa claro, portanto, que essa parte da investigação ainda está em estágio inicial e depende de novas diligências para estabelecer se houve relação entre a atividade parlamentar de Flávio e o financiamento da produção.
Conversa ocorreu na véspera da prisão de Vorcaro
Outro elemento destacado pela PGR é a proximidade temporal de uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro com a primeira prisão do banqueiro.
Segundo a manifestação, os dois conversaram um dia antes de Vorcaro ser preso, em 17 de novembro de 2025.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, disse o banqueiro.
O diálogo foi revelado pelo portal The Intercept em junho.







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