A Polícia Federal (PF) marcou o depoimento do tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo para a próxima quinta-feira, 30 de novembro. Ele é um dos cinco presos na Operação Contragolpe, acusado de integrar um grupo que planejava o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada por Camila Bomfim, da TV Globo.
Azevedo é o único entre os presos que ainda não foi incluído na lista dos 37 indiciados pela PF por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. Há expectativa de que ele seja adicionado à lista após o depoimento.
Os outros detidos são o general da reserva Mário Fernandes, os tenentes-coronéis Rafael Martins de Oliveira e Hélio Ferreira Lima, e o agente da PF Wladimir Matos Soares. Segundo a investigação, o grupo elaborou um plano detalhado, chamado “Punhal Verde e Amarelo”, com a intenção de executar o golpe em 15 de dezembro de 2022. O plano previa o assassinato de Lula e Alckmin, além da execução de Moraes, que estaria sendo monitorado.
A PF identificou documentos como uma planilha de planejamento estratégico em cinco fases e uma minuta para a criação de um “gabinete de crise”, que deveria assumir o controle do país após a ruptura institucional. A operação reforça as evidências de uma trama golpista envolvendo militares e integrantes de forças de segurança.
A PF entende que o militar “associou-se à ação clandestina que tinha a finalidade de prender/executar o ministro Alexandre de Moraes, empregando técnicas de anonimização para se furtarem à responsabilidade criminal, visando consumar o golpe de Estado”. A anonimizaçao consistia em usar técnicas, telefones, codinomes para esconder a participação no esquema.
O relatório da corporação com o nome dos indiciados foi entregue ao STF na última quinta-feira. Além dos envolvidos no planejamento de assassinato, constam na lista o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), os generais Augusto Heleno (ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional), Braga Netto (ex-ministro da Defesa e vice de Bolsonaro na chapa derrotada em 2022), Paulo Sérgio Nogueira (ex-comandante do Exército) e Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira (ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército).
Também constam o ex-comandante da Marinha, almirante de esquadra Almir Garnier Santos, o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres.
O relatório aponta que Bolsonaro sabia do plano para matar o Lula, Alckmin e Moraes, em 2022. Além de mensagens de celular, vídeos, gravações, depoimentos da delação premiada do tenente-coronel Cid, há uma minuta de um decreto golpista, que, de acordo com a PF, foi redigida e ajustada por Bolsonaro.
Com informações do Estadão.





