Petrobras prioriza diesel nas refinarias e alcança produção histórica

Produção atingiu 769 mil barris por dia no terceiro trimestre; maior demanda levou estatal a reforçar compras externas do combustível

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A produção recorde de diesel não impediu a Petrobras de ampliar as compras do combustível no exterior. No terceiro trimestre de 2026, a estatal produziu 769 mil barris por dia, alta de 6,7% sobre o mesmo período de 2025, e elevou as importações em 518% na comparação com o segundo trimestre deste ano.

As compras externas chegaram a 110 mil barris diários. Segundo a companhia, o crescimento trimestral respondeu à maior demanda pelo combustível. Apesar do salto sobre o trimestre anterior, o volume importado ficou 8,8% abaixo do registrado um ano antes.

Os números foram divulgados na mesma semana em que o governo federal prorrogou por mais 30 dias a subvenção ao diesel, diante da pressão dos preços internacionais.

Prioridade nas refinarias

A Petrobras informou que priorizou a produção de diesel em algumas refinarias durante o terceiro trimestre, considerando o cenário internacional. A decisão afetou a fabricação de querosene de aviação (QAV).

A produção de gasolina também recuou, tanto na comparação anual quanto na trimestral.

Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a diferença entre os preços do diesel no mercado doméstico e as referências internacionais atingiu um patamar recorde nesta semana. Especialistas ouvidos na reportagem avaliam que a estatal deverá continuar ampliando as importações para atender ao consumo.

Petróleo e gás em alta

A produção total comercial da Petrobras alcançou 3,097 milhões de barris de óleo equivalente por dia no terceiro trimestre, crescimento de 11,9% em relação ao mesmo período de 2025.

O pré-sal contribuiu para o resultado, com avanço de 15,9% e produção de 2,454 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

Já a produção total própria da companhia atingiu o recorde de 3,51 milhões de barris de óleo equivalente diários, alta anual de 11,7%.

Segundo a estatal, o desempenho refletiu a entrada em operação de novas plataformas e de 12 poços produtores — seis na Bacia de Campos e seis na Bacia de Santos —, além da redução das paradas programadas para manutenção.

Vendas de combustíveis

As vendas de derivados no mercado interno somaram 1,854 milhão de barris por dia, avanço de 2,8% sobre o terceiro trimestre do ano passado.

O diesel teve crescimento de 4,9%. A companhia relacionou o desempenho ao plantio da safra e à maior atividade industrial, fatores que ampliam o consumo no período.

As vendas de QAV aumentaram 3,4%, acompanhando a demanda das férias escolares de julho. As de gasolina caíram 0,2%. Segundo a Petrobras, o recuo ocorreu em razão da elevação do teor de etanol anidro na mistura, de 30% para 32%, a partir de agosto.

Exportações recordes

As exportações de petróleo e derivados também bateram recorde, chegando a 1,25 milhão de barris por dia. O volume representa crescimento de 1,7% sobre o segundo trimestre e de 20,7% em relação ao terceiro trimestre de 2025.

A China permaneceu como principal destino do petróleo exportado, mas sua participação caiu de 53% para 40%. A fatia da Europa subiu de 15% para 18%, e a dos Estados Unidos passou de 4% para 12%.

Os demais países asiáticos, excluídos China e Índia, ampliaram sua participação de 10% para 15%. A Índia passou de 9% para 8%, enquanto a América Latina recuou de 10% para 5%. A África do Sul respondeu por 2%, ante participação nula no período anterior.

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