Pedido de Ronnie Lessa para ser transferido ao sistema penitenciário do Rio é negado devido ao ‘altíssimo grau de periculosidade’  

Parecer aponta que transferência poderia possibilitar articulações com outros criminosos do sistema penitenciário do estado em disputas por territórios

A defesa do ex-policial Ronnie Lessa, apontado como executor da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, teve negado o pedido de retorno ao Sistema Penitenciário Federal do Rio, vinculado ao Ministério da Justiça. No documento, a diretoria do órgão cita seu “altíssimo grau de periculosidade”, com “potencial de desestabilizar” o sistema prisional de seu estado de origem. O ex-sargento da Polícia Militar fluminense está preso atualmente na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso.

O prazo para que Lessa continue preso em uma penitenciária federal expira no dia 21 de março, motivo pelo qual o Sistema Penitenciário Federal se manifestou sobre a possibilidade de enviá-lo a uma prisão no Rio. No parecer, assinado no último dia 17, a diretoria do órgão se opõe a essa possibilidade “devido a sua rede de contatos pessoais, intra e extramuros, além de sua experiência com a criminalidade em vertentes diversificadas”.

O parecer aponta ainda que a transferência poderia possibilitar “articulações do preso com outros criminosos custodiados no sistema penitenciário do estado de origem em disputas por territórios visando a expansão de organizações criminosas, panorama nos quais se encontram inseridos a contravenção, milícias e tráfico de drogas”.

“Crimes de alta letalidade, relacionados às organizações criminosas com as quais Ronnie Lessa ainda manteria vínculo, tem se verificado rotineiramente. Evidencia-se a provável criação de alianças espúrias entre o jogo do bicho e a milícia, ensejando maiores lucros financeiros com a expansão territorial à custa da eliminação de “concorrentes” e/ ou desafetos”, destaca o documento.

No relatório, é citado também que a demanda por elementos com capacidade de planejamento eficaz para o êxito das empreitadas criminosas, com etapas que incluem aquisição de armamento, utilização de rede de informação em setores diversos e forma de execução, características da atuação criminosa de Lessa, torna a renovação da permanência do dele no sistema penitenciário federal “de extrema relevância para o estado fluminense”.

Ronnie Lessa deu entrada na Penitenciária Federal em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 28 de março de 2019. O ex-PM foi transferido, em 26 de junho do mesmo ano, para a Penitenciária Federal em Porto Velho, em Rondônia. Em 8 de dezembro de 2020, ele foi levado para Campo Grande.

Nesse parecer, também são apresentadas as anotações criminais de Lessa por tráfico internacional de armas de fogo, posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e homicídios qualificados. O compilado mostra ainda que ele teria ligações com grupos paramilitares e seria vinculado ao chamado Escritório do Crime, organização iniciada com a exploração imobiliária ilegal, derivadas das atividades de grilarem, com construção, venda e locação de imóveis realizadas de forma ilícita.

Ronnie Lessa negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal sobre o homicídio de Marielle e Anderson. Os termos só poderão ser homologados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que indica que a pessoa que mandou executar Marielle teria cargo público.

Com informações de O Globo.

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