A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas provocou uma forte reação do governo brasileiro. Nesta segunda-feira (1º), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil não deve agir como “vassalo” dos norte-americanos e defendeu uma postura de diálogo, mas sem submissão.
Em entrevista ao SBT News, Durigan revelou que o governo ainda não realizou um contato formal com a Casa Branca após o anúncio feito pelo Departamento de Estado dos EUA, que prevê a entrada em vigor da classificação das facções criminosas a partir da próxima sexta-feira (5)
Impacto preocupa governo
A designação de PCC e CV como organizações terroristas amplia significativamente os poderes das autoridades americanas para aplicar sanções econômicas e financeiras. Na prática, instituições financeiras, empresas e organizações que tenham relações consideradas suspeitas com as facções poderão ser alvo de restrições impostas pelos Estados Unidos.
Segundo Durigan, o governo brasileiro acompanha com preocupação os possíveis efeitos da medida sobre a economia nacional e sobre a percepção internacional do país.
O ministro ressaltou que o Brasil não minimiza o poder das organizações criminosas, que causam o que chamou de “terror social”, mas defendeu que o país já possui mecanismos próprios de combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro.
“Não cabe ao Brasil estar em um lugar de vassalagem, de passar a mão no telefone toda hora e ficar implorando aos Estados Unidos. Nós vamos fazer as conversas internas com as instituições financeiras, com as autoridade brasileiras, recolher a informação e levar isso de maneira qualificada para as autoridades norte-americanas”, disse Durigan.
Pix entra no radar
Uma das principais preocupações do governo envolve o sistema financeiro brasileiro, especialmente o Pix. Durigan afirmou que uma eventual escalada das sanções americanas pode gerar efeitos diretos para consumidores e instituições financeiras.
De acordo com o ministro, o cenário mais preocupante seria uma eventual punição direcionada a algum banco brasileiro. Nesse caso, a instituição poderia enfrentar restrições que afetariam serviços oferecidos aos clientes, incluindo operações ligadas ao Pix.
Além disso, o governo teme que a classificação das facções como terroristas transmita ao mercado internacional a percepção de que o Brasil é um ambiente mais arriscado para investimentos.
A expectativa, segundo Durigan, é que bancos e fintechs acabem repassando parte dos custos adicionais para os consumidores, o que poderia resultar em juros mais altos e encarecimento do crédito.
Novas tensões comerciais
O episódio ocorre em meio a outra frente de tensão entre Brasília e Washington. O governo brasileiro também acompanha uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos que pode resultar na aplicação de novas tarifas e sanções econômicas contra o Brasil.
Segundo o SBT News, integrantes do governo esperam que recomendações sobre possíveis punições comerciais sejam divulgadas ainda nos próximos dias. A apuração está relacionada à chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, utilizada para contestar práticas consideradas desleais pelos norte-americanos.
Enquanto busca evitar um agravamento da crise diplomática e econômica, o governo Lula tenta equilibrar o diálogo com a defesa da soberania nacional, em um momento em que o combate ao crime organizado e as relações com os Estados Unidos ganham ainda mais relevância no cenário político e econômico.






Deixe um comentário