Wianey Pinheiro: morre jornalista que cobriu a morte de JK

Jornalista morreu aos 77 anos em São Paulo e deixa uma trajetória marcada por reportagens históricas e atuação na comunicação política

O jornalismo brasileiro perdeu neste fim de semana uma de suas figuras mais respeitadas. Wianey Pinheiro, profissional que construiu uma carreira de destaque em jornais, agências de notícias e na TV Globo, morreu no domingo (31), aos 77 anos, em São Paulo. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo.

Ao longo de mais de cinco décadas de atuação, Pinheiro participou de coberturas históricas e ocupou posições estratégicas em alguns dos principais veículos de comunicação do país. Entre os episódios mais marcantes de sua trajetória está a cobertura da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, em 1976, quando coordenou a produção de um caderno especial de 16 páginas sobre a vida do fundador de Brasília.

Uma vida dedicada ao jornalismo

Nascido no Ceará em 1949, Wianey Pinheiro mudou-se ainda criança para São Paulo. Formou-se em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e iniciou sua trajetória profissional ainda durante a graduação, atuando na área de comunicação corporativa.

Posteriormente, trabalhou em importantes veículos de imprensa, como Gazeta, Diário da Noite, France Press, Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo, onde assumiu funções de liderança e chegou a comandar a sucursal do Rio de Janeiro.

Ascensão na TV Globo

A passagem pela TV Globo consolidou sua reputação nacional. Wianey ingressou na emissora em meados dos anos 1980 e participou de projetos importantes nos telejornais da casa, incluindo o Jornal Hoje, Jornal Nacional e Jornal da Globo.

Em 1986, assumiu a redação nacional do jornalismo da emissora, ocupando uma das posições mais relevantes da estrutura editorial da Globo. Depois de um breve afastamento, retornou à empresa em 1989 como editor regional em São Paulo.

Coragem e compromisso

Colegas de profissão destacaram a postura ética e o compromisso com a informação que marcaram sua carreira. Segundo relatos publicados pela Folha, o jornalista Carlos Nascimento recordou um episódio em que Pinheiro decidiu manter no ar uma reportagem sobre seca e fome no interior paulista mesmo em período natalino, contrariando a tendência de pautas mais leves da época.

Para Nascimento, a decisão representou um gesto de coragem jornalística. Já o jornalista Celso Pelosi destacou o senso de responsabilidade e a consciência do papel desempenhado por Pinheiro na imprensa brasileira.

Da imprensa à comunicação política

Após deixar definitivamente a Globo, Wianey Pinheiro passou a atuar na área de comunicação política. Fundou a agência GW e coordenou campanhas eleitorais importantes, incluindo as vitoriosas campanhas de Mário Covas ao Governo de São Paulo, em 1994 e 1998, e a eleição de José Serra para a Prefeitura de São Paulo, em 2004.

Homenagens e legado

A morte do jornalista gerou manifestações de colegas e amigos. A jornalista Ananda Apple, sua ex-esposa, afirmou que Pinheiro foi um dos maiores jornalistas de televisão e jornal do país. Em publicação nas redes sociais, destacou sua habilidade para escrever textos elegantes, precisos e objetivos, além de ressaltar seu caráter e senso de justiça.

Wianey Pinheiro foi velado nesta segunda-feira (1º) no Cemitério da Vila Mariana, em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada. Ele deixa dois filhos e um legado que atravessa diferentes gerações do jornalismo brasileiro.

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