Rodrigo Vilela
O União Brasil, partido do presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar, estuda lançá-lo para deputado federal nas eleições deste ano. A legenda não conta com ele para a disputa pelo governo, diante dos recentes escândalos que o envolveram, e avalia que Bacellar se vê diante de um paradoxo: dificilmente conseguiria voltar à presidência da Assembleia – o que o faria ter que se acostumar à volta à planície -, enquanto ainda tem capital político suficiente para sonhar com a Câmara dos Deputados.
Bacellar já externou ao presidente nacional do União, Antônio de Rueda, a vontade de seguir como deputado estadual. O partido acredita no seu potencial de votos no norte-fluminense para puxar outros nomes nessas eleições, além de garantir a ele uma nobre fatia do fundo eleitoral. O trabalho de convencimento ainda está no inicio e o martelo deve ser batido até março, dizem interlocutores.
Ascensão e queda
O homem que chegou ao topo do Legislativo fluminense protagonizou uma virada brusca. Bacellar foi preso pela Polícia Federal por determinação do ministro Alexandre de Moraes, acusado de repassar informações sigilosas ao então deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias (MDB), apontado como ligado ao Comando Vermelho.
Relembre a prisão
Para Moraes, há indícios de que o presidente da Alerj atuou para atrapalhar investigações sobre a facção.
Segundo a PF, Bacellar teria alertado TH, na véspera da Operação Zargun, sobre mandados que seriam cumpridos.
Após receber o aviso de Bacellar na véspera da ação, TH Joias retirou objetos da própria casa e chegou a organizar uma mudança para eliminar provas, utilizando um caminhão-baú. O deputado também apagou o conteúdo do celular e passou a usar um aparelho novo.
Nesse novo telefone, porém, TH Joias manteve conversas com Bacellar. Em um vídeo enviado ao presidente da Alerj, o deputado perguntou se poderia deixar para trás alguns objetos, como um freezer.
Bacellar respondeu: “Deixa isso, tá doido? Larga isso aí, seu doido”.
O diálogo foi recuperado pelos investigadores. As mensagens, segundo a PF, indicam que Bacellar atuou para alertar o colega de parlamento e interferir na operação. A polícia ainda tenta identificar quem repassou a ele as informações sigilosas.
A defesa nega qualquer irregularidade e classifica a prisão como desproporcional.






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