O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), voltou a alfinetar o governador Cláudio Castro (PL) em um tom claro de pré-campanha eleitoral para o governo estadual. Nesta segunda-feira (9), ao comentar a operação da Polícia Federal que cumpriu um mandado de prisão contra Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes, e prendeu um delegado federal suspeito de vazar informações ao Comando Vermelho, Paes chamou integrantes do governo estadual de “tchutchucas do Comando Vermelho”.
A declaração foi em uma postagem na rede social X, na qual Paes compartilhou a notícia sobre a operação da PF. No texto da postagem, o prefeito afirmou:
“Eu já até perdi a conta de quantos dirigentes do governo do Estado foram presos por ligação com o crime organizado”, escreveu Paes. “Esse aí é só mais um. Já teve secretário negociando com traficante em presídio federal, já teve secretário entregando operação contra o crime, já teve secretário preso por conexões com bicheiros…”.
Críticas e tom de pré-campanha
Pré-candidato ao governo do Rio em 2026, Paes também criticou investimentos do RioPrevidência no Banco Master e afirmou que a eleição de outubro decidirá se o grupo político atual permanecerá no poder.
“Esse ano a gente vai decidir se essa turma continua defendendo o crime de dentro do estado ao acreditar no discurso falso de ‘valentões’ deles quando na verdade são todos tchutchucas do Comando Vermelho”, escreveu o prefeito. “Depois a gente não entende por que o Rio está do jeito que está”.
A declaração rompe um período recente de trégua política informal entre Paes e Castro. Em fevereiro o prefeito já havia criticado o governo estadual. Durante visita ao Rio do chefe de polícia de Nova York, Michael LiPetri, Paes criticou a atual gestão do programa Segurança Presente, hoje comandado pelo governo estadual.
Paes afirmou que a iniciativa teve origem em projetos lançados durante sua gestão, como Lapa Presente (2014) e Centro Presente (2016).
Segundo ele, o modelo atual mudou o formato de gestão do programa.
“Na realidade quem criou o Segurança Presente fui eu. Mas era muito diferente do que é feito hoje. O comando do programa era dos comandantes dos batalhões locais. Hoje essa coordenação é do secretário estadual de Governo, um sujeito de Sergipe que nomeia coordenadores por indicação de deputados”, disse Paes na ocasião, sem citar diretamente o secretário André Moura, que é sergipano.
Disputa política no estado
As críticas de Paes haviam diminuído após uma megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, em outubro de 2025, considerada a mais letal da história do país e que elevou a popularidade do governador.
Nos últimos meses, porém, o prefeito voltou a questionar a política de segurança estadual e afirmou que o atual governo teria “cumplicidade com o crime, com a tomada de territórios”.
Operação da Polícia Federal
A nova rodada de críticas ocorreu após a prisão do delegado federal Fabrízio Romano, suspeito de vazar informações sigilosas ao Comando Vermelho (CV).
A investigação também envolve o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias, além de outros investigados. Durante a operação desta segunda-feira, os agentes também cumpriram um mandado de prisão contra Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes do Rio, que já estava preso desde o ano passado.
O caso volta a colocar a segurança pública no centro do debate político fluminense.






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