A Polícia Federal prendeu, nesta segunda-feira (9), o delegado federal Fabrizio Romano por suspeita de vazamento de informações sigilosas ao Comando Vermelho (CV), no rastro da investigação contra o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos, o TH Joias, Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e a advogada Patrícia Falcão.
Os agentes também cumpriram um mandado de prisão contra Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes do Rio, preso desde o ano passado.
Carracena fora preso em 2025 junto com o ex-deputado. A PF aponta que o ex-secretário teria recebido mais de R$ 90 mil do Comando Vermelho. De acordo com as investigações, os alvos teriam estruturado uma associação criminosa voltada para a prática de crimes contra a administração pública e para o favorecimento de interesses ligados ao tráfico internacional de drogas.
O grupo seria articulado por Alessandro e advogados que atuavam como intermediários em negociações para viabilizar favores e pagamentos indevidos em dinheiro. Segundo a Polícia Federal, os valores seriam destinados ao delegado Fabrizio Romano, em troca de informações privilegiadas e influência dentro da instituição.
Carracena — apontado pela PF como o braço político do esquema — comandava as ações do grupo criminoso.
A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Polícia Federal, os alvos repassariam informações sigilosas sobre operações policiais a integrantes da facção. TH Joias, conforme as apurações, é considerado pela corporação como traficante internacional, já que distribuía armas e drones importados a traficantes do CV.
Investigados por vários crimes
Os investigados foram indiciados por crimes como organização criminosa, obstrução de Justiça e favorecimento pessoal. As apurações indicam que dados relacionados à Operação Zargun, que tinha como alvo o ex-deputado estadual TH Joias, teriam sido vazados antes do cumprimento dos mandados judiciais.
De acordo com os investigadores, o suposto vazamento teria permitido que o então parlamentar reorganizasse seu entorno antes da ação policial. Na véspera da operação, ele teria deixado o imóvel onde morava, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste, com indícios de retirada apressada de objetos.
A PF afirma que as investigações apontam para a existência de uma possível rede de proteção institucional, com acesso a informações reservadas que teriam beneficiado integrantes da facção.
Também foram indiciados Flávia Júdice Neto, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado.
Durante as investigações, o desembargador Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, chegou a ser preso, mas não foi indiciado. Segundo a Polícia Federal, a Lei Orgânica da Magistratura prevê procedimento específico para responsabilização de magistrados.






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