Paes chama Ruas de reserva de Rodrigo Bacellar durante debate da Globo

Candidato do PSD reagiu a cobrança sobre mobilidade atacando passagem de Ruas pela Secretaria das Cidades e sua relação política com o ex-presidente da Alerj

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Eduardo Paes (PSD) chamou Douglas Ruas (PL) de “reserva de Rodrigo Bacellar” durante um dos primeiros confrontos diretos do debate da TV Globo entre candidatos ao Governo do Rio, na noite desta terça-feira (29). A declaração ocorreu depois de Ruas cobrar o adversário por promessas na área de mobilidade e questionar a prioridade dada à expansão do transporte sobre trilhos.

A discussão começou com a Linha 3 do metrô e passou pelas realizações de Paes à frente da Prefeitura do Rio. Na réplica, Ruas acusou o candidato do PSD de mudar de prioridade depois das eleições. Paes respondeu elevando o tom e direcionando o confronto para a trajetória política do adversário.

“Acabou de falar o secretário das Cidades do Cláudio Castro, que é o reserva do Rodrigo Bacellar”, afirmou Paes.

Paes associa adversário a Bacellar

Na tréplica, Paes afirmou que Ruas substituiu politicamente Rodrigo Bacellar tanto na Assembleia Legislativa do Rio quanto na corrida pelo Palácio Guanabara.

“Ele substitui o Rodrigo Bacellar na presidência da Alerj e substituiu também na candidatura ao Governo do Estado”, declarou.

Douglas Ruas assumiu a presidência da Assembleia em abril de 2026, após a saída de Bacellar. Antes disso, comandou a Secretaria estadual das Cidades durante o governo Cláudio Castro, entre 2023 e 2026.

Ao mencionar Bacellar, Paes também fez referência à investigação da Polícia Federal que levou à prisão do então presidente da Alerj em dezembro de 2025.

Bacellar foi preso preventivamente durante a Operação Unha e Carne, sob suspeita de ter vazado informações sigilosas da Operação Zargun para o então deputado TH Joias. Este último havia sido preso sob acusação de intermediar a compra e venda de armas para o Comando Vermelho. A defesa de Bacellar negou que ele tenha atuado para obstruir as investigações.

Posteriormente, a Alerj aprovou a revogação da prisão preventiva por 42 votos a 21, com duas abstenções. Bacellar deixou a prisão após decisão do STF e passou a cumprir medidas cautelares.

Ruas é cobrado por passagem pelo governo Castro

Paes também aproveitou a tréplica para questionar os resultados da passagem de Douglas Ruas pela Secretaria das Cidades.

O candidato do PSD afirmou que o adversário não teria conseguido realizar uma intervenção relevante de mobilidade na Baixada Fluminense e questionou a aplicação dos recursos administrados pela pasta.

A crítica à passagem de Ruas pelo governo Castro já vinha sendo explorada por Paes durante a pré-campanha. Em junho, durante ato em São Gonçalo, o candidato do PSD também questionou a distribuição dos investimentos da Secretaria das Cidades pelos municípios fluminenses.

A gestão de Ruas na secretaria, por outro lado, teve entre seus projetos o MUVI, corredor de mobilidade urbana em São Gonçalo. Em publicação oficial sobre as obras, o governo estadual apresentou o empreendimento como uma intervenção voltada à melhoria da mobilidade no município.

Discussão começou pela Linha 3

Antes do ataque político, Ruas havia questionado Paes sobre promessas relacionadas à mobilidade. O candidato do PL acusou o adversário de assumir compromissos durante campanhas e posteriormente mudar suas prioridades.

“Pelo que eu entendi, você disse que pode prometer na campanha, vale tudo prometer e depois você troca a prioridade”, afirmou Ruas.

Paes respondeu que governou a cidade do Rio, e não o estado, e disse que concentrou investimentos nas áreas que considerava mais necessitadas da capital.

O candidato do PSD citou a recuperação do sistema BRT, a renovação da frota de ônibus e a construção do Terminal Gentileza entre as iniciativas realizadas durante suas administrações municipais.

Foi depois da réplica de Ruas que Paes abandonou a discussão estritamente sobre transportes e direcionou a tréplica para a passagem do adversário pelo governo Castro e sua relação política com Bacellar, transformando o confronto sobre a Linha 3 em uma das primeiras trocas de ataques políticos do debate.

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