Padre excomungado desafia decisão do Vaticano e diz que continuará celebrando missas em Brasília

Sacerdote afirma que punição é inválida, critica a Arquidiocese de Brasília e diz ter sido advertido após denunciar rituais de matriz africana em igrejas católicas; Igreja reafirma que atos religiosos do padre são considerados ilícitos

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A excomunhão do padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa continua gerando repercussão entre fiéis e autoridades religiosas. O sacerdote, que foi atingido por um decreto do Vaticano após aderir à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), declarou que não reconhece a punição e afirmou que seguirá celebrando missas normalmente.

Em carta aberta divulgada nesta quinta-feira (16), o religioso fez críticas à cúpula da Igreja Católica no Brasil, alegou perseguição por defender posições tradicionais da fé e revelou que teria recebido advertências após denunciar a realização de rituais de matriz africana em templos católicos da Arquidiocese de Brasília.

Arquidiocese mantém posição e considera atos do padre irregulares

A Arquidiocese de Brasília informou que seu posicionamento oficial permanece o mesmo divulgado em nota pastoral publicada no último dia 11. Segundo o documento, a Santa Sé decretou o cisma e a excomunhão dos integrantes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X após a ordenação de quatro bispos sem autorização do papa.

De acordo com a arquidiocese, Françoá Costa passou a ser considerado oficialmente excomungado por aderir formalmente ao grupo desde abril de 2025. A instituição afirma ainda que, após a sanção, os atos ministeriais praticados pelo sacerdote são ilícitos e que os sacramentos da confissão e do matrimônio realizados por ele são considerados inválidos.

A nota também alerta que os fiéis que frequentam regularmente atividades promovidas pela denominada Capela Santo Atanásio podem igualmente ser enquadrados em situação de cisma e excomunhão, recomendando que os católicos evitem participar das celebrações e demais atividades promovidas pelo grupo.

Padre diz que sofreu advertência após denunciar rituais em igrejas

Na carta de oito páginas, Françoá Costa afirma que, durante seus 22 anos de sacerdócio, enfrentou conflitos com bispos e integrantes da Igreja para defender aquilo que considera a verdadeira doutrina católica.

Segundo ele, em 2022 publicou um vídeo denunciando a realização de rituais de matriz africana em uma paróquia de Sobradinho e também na Catedral de Brasília. O sacerdote afirma que o conteúdo ganhou grande repercussão nas redes sociais e que, posteriormente, recebeu determinação da Arquidiocese para retirar a gravação do ar.

Ainda de acordo com o padre, ele atendeu ao pedido na época por acreditar na obediência à hierarquia eclesiástica, mas passou a enfrentar dificuldades dentro da instituição.

O religioso também relata que foi afastado da Paróquia Senhor Bom Jesus, em 2024, após utilizar anotações em latim no Missal Romano durante as celebrações.

Sacerdote compara situação a episódios históricos da Igreja

Na manifestação, Françoá Costa cita personagens históricos do catolicismo, como Santo Atanásio e Santa Joana D’Arc, afirmando que ambos também enfrentaram condenações de autoridades eclesiásticas antes de serem posteriormente reconhecidos pela Igreja.

Ele reafirma ainda sua rejeição a mudanças introduzidas pelo Concílio Vaticano II, criticando temas como liberdade religiosa, ecumenismo, colegialidade e a reforma da liturgia católica.

Apesar da excomunhão decretada pela Santa Sé, o padre sustenta que a decisão não possui validade e garante que continuará exercendo seu ministério religioso.

Primeiro cisma reconhecido pelo Vaticano em 38 anos

A decisão do Vaticano marca o primeiro cisma oficialmente reconhecido pela Igreja Católica em 38 anos. O decreto alcança bispos, sacerdotes e fiéis que aderirem formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a fraternidade defende uma interpretação rigorosa da tradição católica e rejeita diversas mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II. O grupo mantém a celebração da missa no rito tridentino, em latim, e preserva práticas litúrgicas anteriores às reformas implementadas pela Igreja na década de 1960.

Atualmente, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X reúne centenas de sacerdotes, seminaristas e religiosos distribuídos por dezenas de países, mantendo forte presença entre grupos católicos tradicionalistas.

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