A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu cinco suspeitos de integrar uma organização criminosa que utilizava vídeos produzidos com inteligência artificial para aplicar golpes financeiros na internet. O grupo usava deepfakes de personalidades como o cantor Gusttavo Lima e os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo para divulgar falsas campanhas de arrecadação de doações.
A investigação aponta que o esquema movimentou aproximadamente R$ 10 milhões. Além dos vídeos com pessoas conhecidas, os criminosos utilizavam imagens religiosas, inclusive representações de Jesus Cristo, e fotografias de idosos, crianças e pessoas com doenças graves para convencer internautas a fazer transferências financeiras.
A operação, denominada Cáritas, foi deflagrada nesta quarta-feira (29) e também resultou na apreensão de veículos de luxo e na identificação de aproximadamente US$ 400 mil em criptomoedas, valor equivalente a R$ 2,14 milhões.
Prisões ocorreram em cinco estados
Os cinco suspeitos foram detidos em diferentes localidades: dois em Planaltina, no Distrito Federal, um em Planaltina de Goiás (GO), um em Uberlândia (MG) e outro em Joinville (SC).
Os investigados são suspeitos de envolvimento em estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Justiça autorizou seis mandados de prisão preventiva, além de buscas e apreensões e bloqueios de ativos financeiros e patrimoniais.
A operação foi conduzida pela 16ª Delegacia de Polícia de Planaltina e ocorreu simultaneamente no Distrito Federal, em Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo.
Golpes movimentaram quase R$ 10 milhões
De acordo com a investigação, os criminosos publicavam anúncios e vídeos nas redes sociais que direcionavam os usuários para páginas falsas de arrecadação de donativos. As campanhas exploravam a solidariedade das vítimas e utilizavam conteúdos produzidos com inteligência artificial para dar credibilidade às solicitações.
Entre 13 de outubro e 26 de novembro de 2025, uma única empresa ligada à organização recebeu 215.575 transações financeiras, que somaram R$ 9.839.087,73.
Os pagamentos eram realizados principalmente em pequenos valores, especialmente de R$ 30 e R$ 50. Segundo a Polícia Civil, o volume de operações indica a possibilidade de um número expressivo de vítimas em diferentes regiões do país. A corporação ressalta, porém, que a quantidade de transações não corresponde necessariamente ao número de pessoas prejudicadas.
Organização tinha divisão de tarefas
A investigação identificou uma estrutura criminosa organizada, com integrantes responsáveis por diferentes etapas do esquema. As atividades incluíam o desenvolvimento tecnológico das fraudes, a administração de perfis em redes sociais, a abertura e formalização de empresas e a movimentação dos recursos arrecadados.
Os policiais também localizaram aproximadamente 230 gigabytes de arquivos relacionados às atividades do grupo. O material inclui vídeos, imagens, roteiros, códigos de programação, bancos de dados e conteúdos preparados para a criação de novas campanhas fraudulentas.
Polícia identificou outras fraudes financeiras
O cruzamento de informações realizado pela PCDF também identificou 66 registros de ocorrência envolvendo empresas apontadas como destinatárias de valores relacionados a golpes eletrônicos.
Entre as fraudes investigadas estão falsas compras, emissão de boletos fraudulentos e ofertas de investimentos fictícios.
A Polícia Civil apura a extensão das atividades da organização e busca identificar outras vítimas e possíveis envolvidos no esquema.







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