Deputados de oposição na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) realizaram um protesto simbólico durante a sessão desta terça-feira (24) para pedir justiça no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A manifestação ocorreu no mesmo dia em que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal iniciou o julgamento dos acusados de planejar o crime.
No plenário, parlamentares afirmaram que o momento representa um capítulo decisivo na busca por responsabilização dos mandantes. O julgamento começou às 9h e deve ser concluído nesta quarta-feira (25), com dois dias reservados para a análise do caso.
Julgamento no STF
A Primeira Turma do Supremo analisa a denúncia contra o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, seu irmão Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, e o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa. Eles são apontados pela acusação como responsáveis por planejar a morte da vereadora. Todos negam participação no crime.
Dois policiais militares, Robson Calixto e Ronald Alves Pereira, também respondem sob acusação de auxiliar na preparação da ação criminosa.
O processo tramita no Supremo em razão de o crime ter ocorrido quando Chiquinho Brazão exercia mandato de deputado federal. Por essa condição, o julgamento ficou sob competência da Corte.
Acusações apresentadas
Segundo a Procuradoria-Geral da República, Domingos e Chiquinho Brazão teriam decidido matar Marielle para impedir que ela continuasse a prejudicar interesses ligados a práticas de grilagem de terras na zona oeste do Rio de Janeiro. A denúncia também atribui aos irmãos o comando de uma organização criminosa voltada ao controle territorial na região.
A investigação aponta que o planejamento do crime teria começado em 2017 e se intensificado no segundo semestre daquele ano. Rivaldo Barbosa teria sido consultado previamente e orientado que o homicídio não ocorresse em trajeto com origem ou destino na Câmara Municipal.
Colaboração e investigação
Parte da acusação se baseia na colaboração premiada de Ronnie Lessa, ex-policial militar que confessou ter executado Marielle e Anderson. Ele afirmou que receberia autorização para explorar uma área na zona oeste como recompensa, com potencial de retorno financeiro significativo.
A Polícia Federal passou a atuar no caso em 2023, após determinação do então ministro da Justiça, Flávio Dino, para ampliar a participação federal nas investigações.
Relembre o crime
Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos na noite de 14 de março de 2018, no centro do Rio. A vereadora retornava para casa, na Tijuca, após participar de um encontro com mulheres negras na Lapa. A assessora parlamentar Fernanda Chaves também estava no veículo e sobreviveu ao atentado.
Na sessão desta terça-feira, deputados afirmaram que o julgamento precisa estar à altura da gravidade do atentado e defenderam que haja responsabilização dos mandantes.






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