A operação da Polícia Civil realizada nesta segunda-feira (1º), que teve como alvo órgãos da Prefeitura de São Paulo e a produtora do filme “Dark Horse”, provocou forte reação do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Em declarações à imprensa, o prefeito afirmou que a investigação pode ter motivação política e relacionou a ação ao envolvimento da empresária Karina Ferreira da Gama com a produção do longa-metragem sobre a trajetória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo a Folha de S.Paulo, a investigação apura possíveis irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), responsável pela gestão do programa municipal de Wi-Fi gratuito. Karina preside o instituto e também é proprietária da Go UP Entertainment, produtora de Dark Horse.
Durante a operação, policiais realizaram buscas na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, no centro da capital. Após ser informado sobre a ação, Nunes saiu em defesa do contrato e levantou suspeitas sobre as razões que levaram à investigação.
“Se a motivação, conforme vocês estão me dizendo, é por conta do filme, então estão indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa disso. Aí é grave, é perseguição política”, afirmou o prefeito.
“Se for uma questão política, é um erro grave”, diz Nunes
Em seguida, ele reforçou as críticas à possibilidade de interferência política nas apurações. “Se for uma questão política, é um erro grave. Eu acho que é um desrespeito à democracia”.
Auxiliares informaram ao prefeito que os documentos recolhidos pela polícia já eram públicos e estavam disponíveis nos sistemas da administração municipal. Nunes afirmou ter solicitado revisão do processo na semana passada e disse não ter encontrado irregularidades.
“O que eu recebi da minha equipe é a afirmação de que não existe absolutamente nada de errado na contratação”, declarou.
O inquérito foi aberto em março a pedido do Ministério Público. Os investigadores apontam suspeitas relacionadas ao processo de seleção da entidade, aos valores pagos pelos serviços e a possíveis desembolsos realizados antes da instalação dos pontos de acesso à internet.
Prefeitura diz que gastos foram auditados
A Polícia Civil sustenta que cada ponto de Wi-Fi contratado por meio do instituto teria custo de R$ 1.800, enquanto a Prodam, empresa municipal de tecnologia, ofereceria serviço semelhante por valores inferiores. O prefeito contestou essa comparação e afirmou que a prefeitura já realizou auditorias sobre os gastos apresentados pela entidade.
“Na análise de 2024 foram glosados mais de R$ 2 milhões porque era um serviço que não havia sido comprovado”, disse. “Se tiver alguma coisa errada, a prefeitura não vai pagar ou vai descontar.”
Nunes também rejeitou suspeitas de favorecimento no chamamento público vencido pelo ICB e garantiu colaboração com as investigações. “Se tiver alguma coisa de errado, eu vou ser o primeiro a tomar as providências. Mas, até o presente momento, de tudo o que eu vi, não existe absolutamente nada de errado nesse processo.”






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