A Operação Wi-Fi, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo nesta segunda-feira (1º), ampliou o foco das investigações para além do contrato milionário firmado entre a Prefeitura de São Paulo, sob a gestão do bolsonarista Ricardo Nunes, e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). Entre os alvos das buscas autorizadas pela Justiça estão as três empresas controladas pela empresária Karina Ferreira da Gama, incluindo a produtora responsável pelo filme Dark Horse, longa-metragem inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Foram alvo das diligências a Go Up Entertainment, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go 7 Assessoria. Todas são ligadas à empresária, que está no centro das investigações sobre supostas irregularidades na execução de um programa de instalação de internet gratuita em comunidades da capital paulista.
Embora o objeto principal da operação seja o contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB, os investigadores sustentaram perante a Justiça que seria necessário examinar a movimentação financeira de todas as empresas controladas por Karina da Gama para apurar possíveis conexões patrimoniais e financeiras. As informações são do blog da Camila Bomfim, no portal g1.
Suspeita de confusão patrimonial
Na decisão que autorizou as buscas, a Polícia Civil argumentou que há elementos que justificam a análise conjunta das empresas ligadas à empresária.
Segundo o documento, durante o período em que o Instituto Conhecer Brasil recebeu repasses milionários decorrentes do contrato público, teve início a produção do filme Dark Horse, projeto orçado entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões.
“Segundo as apurações jornalísticas reproduzidas pela autoridade policial, durante o período de vigência do contrato administrativo e dos repasses públicos milionários ao Instituto Conhecer Brasil, a investigada teria iniciado a produção de longa-metragem denominado ‘Dark Horse’, cujo custo estimado variaria entre R$ 8.000.000,00 e R$ 20.000.000,00, havendo suspeitas de utilização indireta de recursos públicos oriundos do programa municipal para financiamento da produção audiovisual”, registra a decisão judicial.
Os investigadores afirmam que existem indícios que precisam ser aprofundados para esclarecer a origem dos recursos utilizados na produção cinematográfica e verificar se houve eventual mistura entre recursos das empresas.
Filme passa a integrar linha de apuração
Embora não exista acusação formal de que recursos públicos tenham sido utilizados diretamente no filme, a Polícia Civil considera necessário apurar a coincidência temporal entre os repasses recebidos pela ONG e o início da produção da obra audiovisual.
Segundo a investigação, há necessidade de esclarecer se ocorreu eventual desvio de finalidade na aplicação dos recursos públicos ou utilização indireta de verbas vinculadas ao programa de Wi-Fi.
A decisão judicial reproduz esse entendimento ao afirmar:
“A representação policial também descreve indícios de desvio de finalidade e confusão patrimonial envolvendo Karina Ferreira da Gama e a empresa Go Up Entertainment Ltda., produtora cinematográfica sob seu controle direto”.
A Go Up é a responsável pela produção de Dark Horse, filme que narra a trajetória de Jair Bolsonaro e que tem entre seus participantes aliados políticos do ex-presidente.
Justiça autorizou acesso amplo a documentos e dispositivos
Além das buscas nos endereços ligados às empresas, a Justiça autorizou medidas mais amplas para garantir a coleta de provas.
O juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner permitiu que os policiais abram compartimentos fechados caso haja resistência dos responsáveis pelos imóveis.
“Também, autorizo a equipe policial encarregada da busca e apreensão a proceder à abertura de compartimentos fechados, cofres, armários, caixas, depósitos ou gavetas trancados, mediante o emprego de força estritamente proporcional, em caso de recusa de abertura voluntária por parte dos moradores ou responsáveis”.
A decisão também autorizou a apreensão e análise de equipamentos eletrônicos.
Os investigadores poderão acessar, extrair e realizar o espelhamento de conteúdos armazenados em celulares, computadores e demais dispositivos eventualmente recolhidos durante a operação.
A autorização judicial inclui comunicações telefônicas, mensagens de aplicativos, registros de e-mails, dados de geolocalização e arquivos armazenados em nuvem vinculados aos aparelhos apreendidos.
Contrato de Wi-Fi é alvo principal da investigação
A operação desta segunda-feira está relacionada às suspeitas de fraude em um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil para implantação de pontos de internet gratuita em áreas periféricas da cidade.
Segundo a Polícia Civil, há indícios de irregularidades na execução do programa, incluindo questionamentos sobre prestação de contas, utilização dos recursos públicos e possíveis inconsistências financeiras.
A ampliação das buscas para empresas ligadas à mesma controladora do instituto representa uma nova frente de investigação, voltada a verificar se houve circulação de recursos entre as diferentes organizações administradas por Karina da Gama.





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