A entrega de 77 ônibus novos anunciada pela Prefeitura do Rio de Janeiro gerou questionamentos após parte da frota chegar a empresas que tiveram suas operações suspensas pelo próprio município no início do ano. Oito veículos foram destinados inicialmente às viações Real Auto Ônibus e Transportes Vila Isabel, ambas interditadas desde janeiro.
Os novos coletivos fazem parte de um lote comprado com recursos provenientes de glosas aplicadas pela prefeitura sobre subsídios pagos às empresas de ônibus. Os descontos ocorreram após determinação judicial que suspendeu repasses referentes à circulação de ônibus sem ar-condicionado ou com equipamentos inoperantes.
Segundo a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), embora os veículos tenham sido registrados com prefixos das empresas interditadas, eles não vão operar nessas companhias e serão direcionados para outras viações que seguem em atividade na capital.
Acordo judicial financiou compra de ônibus
A aquisição dos veículos ocorreu após acordo firmado em abril de 2025 entre a Prefeitura do Rio e empresas do setor, homologado pela 8ª Vara de Fazenda Pública. O entendimento definiu que valores descontados dos subsídios seriam revertidos para a compra de ônibus climatizados e novos.
Ao todo, cerca de R$ 70 milhões depositados em juízo foram utilizados na compra dos 77 coletivos, segundo a prefeitura.
Pelo acordo, os ônibus serão considerados frota das concessionárias durante a vigência contratual, mas deverão retornar ao patrimônio público municipal ao fim da atual concessão, previsto para 2028.
Empresas fechadas receberam oito veículos
Levantamento aponta que sete ônibus foram registrados inicialmente para a Real Auto Ônibus, identificada pelo prefixo C41, enquanto um coletivo foi destinado à Transportes Vila Isabel, prefixo A27.
As duas empresas deixaram de operar na cidade em janeiro após não realizarem a vistoria anual obrigatória da frota, o que levou ao fechamento das garagens e suspensão das atividades.
A situação chamou atenção inclusive de entusiastas do setor. O motorista de aplicativo Jordan Santos fotografou parte da frota em deslocamento pela Via Dutra, em Piraí, e relatou surpresa ao identificar os ônibus com numeração das empresas interditadas.
Prefeitura garante redistribuição da frota
Após questionamentos, a SMTR reforçou que nenhum dos novos veículos está circulando em linhas administradas pela Real Auto Ônibus ou pela Transportes Vila Isabel.
De acordo com a pasta, os ônibus serão repassados a outras operadoras da cidade e seguem vinculados ao acordo judicial firmado em 2025.
A secretaria também reiterou que os coletivos passarão a integrar definitivamente o patrimônio municipal ao término dos contratos atuais.
Fechamento de empresas afetou operação de linhas
A saída das duas operadoras obrigou a prefeitura a reorganizar parte da malha de transporte urbano. Cinco novas linhas foram criadas para suprir a demanda deixada pelas empresas interditadas.
Entre elas estão as linhas 111, 160, 162, 319 e 475. Além disso, houve alterações em trajetos já existentes, como as linhas 109 e 456.
O impacto operacional também atingiu outras empresas. A Braso Lisboa, por exemplo, solicitou ao governo estadual desligamento da linha intermunicipal 740D, que liga Charitas ao Leblon, alegando desequilíbrio econômico-financeiro após absorver custos extras gerados pela crise no sistema municipal.
Nova identidade visual marca renovação da frota
Além das empresas interditadas, outras 12 operadoras receberam ônibus adquiridos por meio do mesmo acordo com a prefeitura.
A nova frota faz parte do processo de padronização visual anunciado pelo município, que prevê ônibus predominantemente amarelos com faixas coloridas indicando a região de circulação.
As cores variam conforme a área atendida: marrom para Bangu e Realengo, laranja para Campo Grande e Guaratiba, roxo para Santa Cruz, azul claro para Barra da Tijuca, rosa para Jacarepaguá e cinza para Centro, Zona Sul e Grande Tijuca.
Parte desses veículos já circula em linhas como 361, 685 e 803, enquanto outras empresas também passaram a adquirir ônibus com recursos próprios seguindo o novo padrão visual.






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