Vorcaro oferece R$ 40 bilhões, mas devolução exigida trava avanço de delação sobre Banco Master

Empresário tenta acordo de colaboração, porém autoridades cobram ressarcimento maior e em prazo menor para validar negociação no STF

A negociação para um possível acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro enfrenta resistência das autoridades responsáveis pela investigação do caso Banco Master. O principal impasse está no valor oferecido pelo empresário e no prazo sugerido para devolução dos recursos apontados como desviados, segundo a repórter Laura Jordão, do portal Diário do Centro do Mundo..

Investigadores ligados à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal defendem que Vorcaro apresente uma proposta mais robusta para ressarcir os prejuízos causados pelo esquema investigado. A avaliação interna é de que a colaboração pode ser rejeitada caso não haja compromisso considerado suficiente.

Atualmente, a defesa do ex-banqueiro propôs a devolução de aproximadamente R$ 40 bilhões ao longo de dez anos. O montante, no entanto, ficou abaixo da expectativa das autoridades, que trabalham com uma exigência próxima de R$ 60 bilhões.

Exigência financeira trava negociação

A proposta de colaboração foi encaminhada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República no início de maio. O documento representa a fase preliminar do processo, antes da análise sobre benefícios penais, condições de ressarcimento e eventual homologação do acordo.

O ministro André Mendonça é o relator responsável pelo caso no Supremo e deverá analisar eventual validação da negociação caso as partes avancem.

Entre investigadores, a leitura predominante é de que o prejuízo financeiro não pode ser tratado como variável de barganha. A recomposição dos danos precisa ocorrer em prazo menor e com garantias concretas.

A resistência ao prazo de dez anos também se apoia em experiências anteriores envolvendo grandes acordos firmados durante a Operação Lava Jato e no caso da J&F. Em episódios semelhantes, empresas e investigados buscaram posteriormente renegociar ou suspender pagamentos na Justiça.

Banco liquidado aumenta pressão por garantias

Outro fator que dificulta a negociação é a própria situação do Banco Master. Como a instituição já foi liquidada, investigadores consideram inexistente uma estrutura operacional capaz de sustentar pagamentos futuros de forma previsível.

Para demonstrar viabilidade da proposta, Vorcaro precisará detalhar onde estão localizados os recursos e de que forma pretende devolvê-los. As autoridades aguardam informações sobre ativos mantidos em paraísos fiscais, fundos de investimento, imóveis, aeronaves, obras de arte e outros patrimônios.

Os custos atribuídos à quebra do Banco Master já ultrapassam R$ 57 bilhões. Desse total, cerca de R$ 51,8 bilhões correspondem ao ressarcimento de clientes por meio do Fundo Garantidor de Créditos.

Conteúdo da delação ainda é considerado frágil

Além da questão financeira, investigadores avaliam que o material entregue até agora pela defesa ainda não apresenta fatos inéditos suficientes para justificar benefícios relevantes.

Na visão de integrantes da apuração, os anexos apresentados trazem informações consideradas frágeis e pouco acrescentam ao conjunto probatório já reunido pela Polícia Federal.

Caso Vorcaro apenas repita dados conhecidos ou contextualize episódios já mapeados pela investigação, a colaboração tende a perder força nas negociações.

Enquanto isso, novas etapas da Operação Compliance Zero seguem avançando, ampliando a pressão sobre o empresário para entregar provas consideradas robustas.

Outro nome investigado no caso, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também estaria avaliando uma negociação de colaboração, movimento que reduz o poder de barganha do ex-banqueiro perante as autoridades.

Prisões ampliaram pressão sobre empresário

Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, quando tentava embarcar no Aeroporto de Guarulhos. Posteriormente, voltou a ser detido em março deste ano por determinação do Supremo Tribunal Federal.

Com a mudança de estratégia jurídica, o empresário precisará confessar participação em crimes investigados, detalhar a dinâmica dos fatos e apresentar elementos probatórios capazes de sustentar as declarações feitas às autoridades.

O avanço ou não da delação dependerá agora de uma proposta revisada, considerada suficiente para reparar os danos financeiros e agregar informações novas às investigações.

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