Onda azul derrota Trump, dá maioria aos democratas no Congresso e muda cenário político nos EUA

Oposição conquista Câmara e Senado, avança em redutos republicanos e amplia pressão sobre a Casa Branca, que reconhece impacto da guerra no Irã nas eleições

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A chamada “onda azul” atravessou os Estados Unidos e redesenhou o equilíbrio de forças em Washington. Impulsionado pela insatisfação de parte do eleitorado com a economia e a guerra no Irã, o Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado nas eleições de meio de mandato, realizadas nesta terça-feira (3). O resultado representa uma derrota política para o presidente Donald Trump, que terá de enfrentar um Congresso controlado pela oposição na segunda metade de seu mandato.

O avanço democrata não ficou restrito aos tradicionais redutos do partido. Candidatos da oposição também conquistaram espaços em estados historicamente favoráveis aos republicanos, ampliando o alcance da vitória. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, classificou o resultado como uma mudança histórica no cenário político americano.

“Não foi uma onda azul, foi um tsunami americano”, declarou Jeffries, que afirmou esperar pelo menos 255 cadeiras democratas na Câmara dos Representantes.

Trump minimiza ameaça de impeachment

Apesar da derrota eleitoral, Trump afirmou nesta quarta-feira (4) que não está preocupado com a possibilidade de enfrentar um novo processo de impeachment. Questionado por jornalistas durante uma visita às obras de um salão de festas da Casa Branca, o presidente disse acreditar que uma iniciativa dessa natureza prejudicaria os próprios democratas.

“Acho que isso destruiria o Partido Democrata se eles fizessem isso. Um impeachment sem motivo”, declarou o republicano, que também defendeu os resultados de sua administração.

Do lado democrata, Jeffries procurou afastar a possibilidade de uma ofensiva imediata para destituir o presidente. Em entrevista à CNN, afirmou que o impeachment não está entre as prioridades da futura maioria e que nenhum integrante da bancada discutiu formalmente o assunto com a liderança.

A intenção, segundo ele, é intensificar a fiscalização do Executivo e concentrar esforços em medidas para reduzir o custo de vida, rever tarifas comerciais e enfrentar os efeitos dos cortes na saúde.

“Os dias em que a Câmara dos Representantes funcionava como uma subsidiária integral do governo Trump acabaram”, afirmou.

Casa Branca reconhece peso da guerra no Irã

A guerra contra o Irã entrou no centro das explicações para o resultado eleitoral. A Casa Branca reconheceu que o conflito contribuiu para o desgaste republicano, especialmente pelos reflexos sobre os preços dos combustíveis e o custo de vida dos americanos.

O vice-presidente JD Vance também atribuiu parte da derrota à guerra. Trump, por sua vez, admitiu os efeitos políticos do conflito, mas defendeu a decisão de manter a ofensiva militar. As tarifas comerciais e as preocupações com a economia também pesaram na campanha.

AP News+1

A dimensão da vitória democrata ficou evidente em estados tradicionalmente republicanos. No Kansas, o partido conquistou uma cadeira no Senado pela primeira vez em quase um século. Também houve avanços no Texas, em Iowa e na Carolina do Sul, territórios que haviam dado apoio expressivo a Trump nas eleições presidenciais de 2024.

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Vitória muda equilíbrio de poder em Washington

O novo Congresso tomará posse em janeiro de 2027. Com o controle das duas Casas, os democratas poderão abrir investigações parlamentares, dificultar a aprovação de propostas presidenciais e barrar indicações do governo para cargos importantes, incluindo postos no Judiciário.

A mudança, porém, não significa que a oposição terá liberdade para aprovar todas as suas propostas. Trump continuará com poder de veto, e determinadas votações no Senado exigem apoio superior à maioria simples.

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As eleições também registraram avanços na representatividade política, com vitórias de candidatos negros, indígenas e de outras minorias em disputas estaduais e federais.

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Para Trump, o resultado representa uma nova etapa de seu segundo mandato: depois de dois anos com maioria republicana no Legislativo, o presidente terá de negociar com adversários políticos para avançar em parte de sua agenda.

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