Chefe do BC paraguaio renuncia em meio à crise do banco Ueno

Carlos Carvallo anunciou a saída após pedido do presidente Santiago Peña, enquanto o governo tenta garantir a devolução de recursos a depositantes

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A crise do banco digital Ueno, que atende cerca de 3 milhões de clientes no Paraguai, levou o presidente do Banco Central do país, Carlos Carvallo, a anunciar sua renúncia nesta terça-feira (3). A saída foi solicitada pelo presidente Santiago Peña em meio a críticas de parlamentares à supervisão da instituição. Carvallo disse que permanecerá no cargo durante o procedimento adotado pelas autoridades para lidar com a crise.

Maior emissor de cartões de crédito do Paraguai, o Ueno viu seu índice de solvência cair para menos da metade do mínimo exigido após ajustes nos balanços. O Banco Central iniciou um procedimento para proteger os depositantes e conter possíveis impactos no sistema financeiro. O Ministério Público pediu a abertura de uma investigação criminal e determinou a prisão de oito pessoas ligadas ao banco.

Clientes encontram agências fechadas

Clientes que procuraram agências do Ueno nesta terça-feira encontraram as portas fechadas. Entre eles estavam aposentados que recebem benefícios do governo pelo banco, responsável por administrar cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos.

“Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno”, disse à agência Reuters Manuel Cáceres, morador de Ñemby, nos arredores de Assunção. “Infelizmente, muita gente, inclusive eu, está passando a manhã assim.”

Peña anunciou um acordo com líderes do Congresso para acelerar a votação de um projeto que autoriza o uso do Fundo de Garantia do país para pagar depositantes. Segundo o presidente, a medida também deve assegurar a devolução de recursos públicos mantidos pelo Instituto de Previdência Social (IPS) e por outros fundos públicos de previdência.

Fiscalização do Ueno pressiona governo

O Ueno já vinha sob maior fiscalização nos últimos meses. Reguladores apuravam se o banco havia financiado indiretamente a venda de uma carteira de ativos de uma empresa ligada ao Grupo Vázquez, seu controlador. O Ueno negava a operação.

Carvallo comandou o Ueno até agosto de 2023, e Peña foi sócio do grupo controlador até março de 2025. Antes do anúncio da renúncia, parlamentares haviam pedido a saída da cúpula do Banco Central após rejeitarem um relatório sobre o banco por considerá-lo incompleto. Carvallo afirmou que sua decisão permitiria ao Banco Central e à Superintendência de Bancos conduzir o trabalho com menos pressão política.

Banco Central trata crise como “caso isolado”

O Banco Central afirmou que os problemas do Ueno estão restritos à instituição. A Superintendência de Bancos vai nomear auditores para examinar a situação dos ativos. No mercado, a crise pressionou tanto os títulos em dólar do Ueno com vencimento em 2031 quanto os papéis da dívida do Paraguai.

“Este é um caso específico de uma entidade, não do sistema financeiro nacional.” Peña acrescentou que os responsáveis “devem responder perante o Judiciário, sem exceções e sem privilégios”.

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