Causou enorme indignação entre jornalistas, ambientalistas e defensores dos direitos humanos, assim como usuários das redes sociais, uma nota emitida ontem à noite pelo Exército Brasileiro sobre o desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista da Funai Bruno Araújo
O desaparecimento os dois já ultrapassava 30 horas desde a notificação às autoridades, quando uma nota à imprensa assinada pelo Comando Militar da Amazônia (CMA) do Exército Brasileiro denotou omissão e desinteresse pela situação deles, informando que apenas quando recebesse ordens superiores é que a força entraria em ação.
Além disso, a nota sequer mencionava os nomes dois dois desaparecidos, citados apenas como “um jornalista inglês” e “um indigenista”.
A nota diz que o CMA “está em condições de cumprir missão humanitária de busca e salvamento, como tem feito ao longo de sua história”. “Contudo”, continua, “as ações serão iniciadas mediante acionamento por parte do Escalão Superior”.
A nota termina agradecendo a “confiança depositada nas Forças Armadas”.
Muita gente indagou onde está o senso de urgência da instituição.
A passividade do Exército diante do caso deixou perplexos àqueles que esperavam o pronto envolvimento das autoridades neste caso de repercussão internacional, em que “cada minuto conta”, como afirmou Sian Phillips, irmã do jornalista colaborador do jornal britânico Guardian, em seu apelo às autoridades brasileiras.
A Terra Indígena Vale do Javari, onde Dom e Bruno desapareceram no trajeto entre a comunidade de São Rafael e Atalaia do Norte, tem sido frequentemente alvo de invasões de garimpeiros ilegais.
Segundo a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) e o Opi (Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato), Bruno estava sob ameaça antes de desaparecer.
A nota do Exército brasileiro chamou atenção de estrangeiros, que entenderam que a instituição admitia, então, que não havia entrado nas buscas. “Vergonha” e “chocante” são alguns dos termos usados para classificar a resposta.
Veja a nota do Exército e agumas manifestações de espanto e revolta nas redes sociais:



















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