O advogado-geral da União, Jorge Messias, chega nesta quarta-feira (29) ao momento mais delicado de sua trajetória rumo ao Supremo Tribunal Federal (STF). Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso, o nome de Messias será avaliado pelo Senado em um cenário de forte tensão política e apoio considerado insuficiente por parte do governo.
Antes da votação em plenário, Messias participa da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), marcada para começar às 9h. Para ser aprovado e assumir uma vaga na mais alta corte do país, ele precisa conquistar ao menos 41 votos favoráveis entre os 81 senadores, em votação secreta.
A expectativa em Brasília é de uma disputa apertada. Embora o Palácio do Planalto estime contar com cerca de 45 apoios, aliados reconhecem que a margem é estreita e que qualquer mudança de posicionamento pode comprometer o resultado final.
Resistência no Senado amplia tensão para o governo
Um dos principais obstáculos enfrentados por Jorge Messias é a falta de sinalização pública de apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A relação entre ambos segue distante desde a escolha do advogado-geral para a vaga, em detrimento de outros nomes que circulavam nos bastidores políticos.
A ausência de um gesto político mais claro por parte de Alcolumbre tem sido interpretada por governistas como um fator de insegurança para a aprovação. Integrantes do governo ainda aguardavam, até a noite de terça-feira, uma eventual reunião entre os dois.
Nos bastidores, interlocutores do Planalto avaliam que a neutralidade adotada pelo presidente do Senado pode ser tão prejudicial quanto uma oposição declarada.
O governo também mobilizou articulações para fortalecer a base de apoio. Entre as estratégias estão negociações envolvendo cargos em agências reguladoras, liberação de emendas parlamentares e mudanças na composição da própria CCJ.
Possível derrota teria peso histórico para Lula
Caso seja rejeitado, Jorge Messias provocaria uma derrota rara e histórica para um presidente da República. A última rejeição de uma indicação presidencial ao STF ocorreu em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.
O temor dentro do governo é de que uma eventual derrota seja interpretada como demonstração pública de fragilidade política do Palácio do Planalto diante do Congresso Nacional.
Governistas, no entanto, mantêm certo otimismo ao lembrar a aprovação de André Mendonça, que conseguiu aval do Senado mesmo enfrentando resistência semelhante em sua indicação.
Oposição fecha posição contra indicado
Partidos de oposição, como PL e Novo, além de parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, já definiram voto contrário ao nome de Messias.
Críticos afirmam que o advogado-geral possui forte alinhamento político com Lula e atuação considerada ideológica em temas recentes, especialmente relacionados aos ataques de 8 de janeiro e à defesa institucional do governo federal.
A avaliação de opositores é de que a escolha não contribui para reduzir a tensão entre os Poderes, em um momento de atritos frequentes entre STF e Congresso.
Entre os temas que devem dominar a sabatina estão separação entre Poderes, imunidade parlamentar, limites da atuação do Judiciário e investigações envolvendo parlamentares.
Messias intensificou ofensiva final antes da votação
Nas últimas semanas, Jorge Messias ampliou sua agenda política e buscou contato direto com parlamentares para consolidar apoio.
Segundo aliados, ele conversou com 78 senadores e reforçou seu perfil técnico, tentando afastar críticas sobre eventual partidarização. Procurador da Fazenda Nacional desde 2007, Messias também atua como nome de confiança de Lula desde governos anteriores.
Além da articulação política, o indicado se preparou intensamente para a sabatina, estudando temas jurídicos sensíveis e possíveis questionamentos.
Messias também recebeu apoio público de ministros do próprio STF e de lideranças religiosas, embora ainda enfrente resistência significativa dentro da bancada evangélica do Senado.
Votação pode redefinir relação entre Planalto, Senado e STF
Mais do que uma escolha para o Supremo, a votação desta quarta-feira ganhou peso político ampliado.
O resultado será visto como termômetro da força do governo Lula no Senado e também da influência de Davi Alcolumbre sobre a Casa.
Independentemente do desfecho, a análise política em Brasília é de que a votação de Jorge Messias ultrapassou o campo jurídico e se transformou em disputa direta de poder entre Executivo, Legislativo e Judiciário.






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