Os chefes de Estado e de governo reunidos na Cúpula de Líderes da COP30, em Belém, retomam nesta sexta-feira (7) os discursos na plenária geral, em um dia marcado por debates sobre transição energética e o futuro do Acordo de Paris.
O evento, convocado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reúne 57 líderes e 143 delegações em torno de uma das mais amplas discussões sobre o papel das florestas, da energia limpa e do financiamento climático global.
Fundo Florestas Tropicais para Sempre marca primeiro dia
Na abertura da Cúpula, na quinta-feira (6), Lula lançou oficialmente o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), com a adesão de 53 países. A iniciativa, considerada um marco diplomático, propõe um modelo financeiro inovador que transforma a preservação das florestas tropicais em um ativo econômico global.
Durante o anúncio, Lula destacou que o fundo representa “uma iniciativa inédita” que recoloca os países do Sul Global no centro das soluções para o clima. Segundo ele, o objetivo é “transformar florestas tropicais em infraestrutura viva da estabilidade climática global”.
O TFFF prevê mobilizar cerca de R$ 625 bilhões (US$ 125 bilhões) por meio de investimentos de renda fixa, cujos lucros remunerarão países que preservam suas florestas, como Brasil, Indonésia e Congo. O fundo também destina ao menos 20% dos recursos a povos indígenas e comunidades locais, e veda investimentos em combustíveis fósseis.
Expectativa por compromissos concretos
Nesta sexta, a programação começou às 8h com a chegada das delegações, seguida pela tradicional foto de família. Em seguida, líderes retornaram ao plenário para discutir as metas de curto e médio prazo na transição energética e no financiamento climático.
“Para este segundo dia de Cúpula dos Líderes esperamos ambição e caminhos. Caminhos para a transição energética, como falado pelo Presidente Lula – na abertura, e ambição nas NDCs e no financiamento climático”, afirmou Alexandre Prado, líder de Mudanças Climáticas do WWF-Brasil.
As NDCs, ou Contribuições Nacionalmente Determinadas, são compromissos nacionais previstos no Acordo de Paris e funcionam como planos de ação para reduzir emissões de gases de efeito estufa.
Transição energética domina os debates
Entre os principais temas do dia está a transição energética, considerada essencial para substituir a matriz global baseada em petróleo, carvão e gás natural por fontes renováveis, como energia solar, eólica e hidrelétrica.
“Nós vamos ter um dia temático que vai discutir transição energética e os dez anos do Acordo de Paris, nada mais propício do que ter a discussão sobre o tema central que o Acordo de Paris precisa entregar, que é como é que a gente vai abandonando o uso dos combustíveis fósseis, que é exatamente se fazer a transição energética”, afirmou Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima.
Durante as discussões, os países devem reafirmar metas como triplicar a capacidade global de energias renováveis até 2030 e duplicar a eficiência energética. Outro destaque é o Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis (Belém 4x), liderado por Brasil, Itália e Japão, que pretende quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035.
Balanço dos dez anos do Acordo de Paris
A última sessão desta sexta-feira será dedicada ao aniversário de dez anos do Acordo de Paris, firmado em 2015. O objetivo é revisar as metas nacionais e preparar novas NDCs para 2035.
O encontro também discutirá o Roteiro Baku–Belém, apresentado pelas presidências do Azerbaijão (COP29) e do Brasil (COP30), que prevê mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para reestruturar o sistema financeiro climático global.
Participações e ausências de peso
Entre os líderes presentes estão o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. Também participam Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, o premiê norueguês Jonas Gahr Støre e o Príncipe William, representante do rei Charles III.
Por outro lado, as ausências de Donald Trump, Xi Jinping e Javier Milei chamaram atenção. Os Estados Unidos não enviaram representantes políticos de alto escalão, enquanto a China participa apenas com uma delegação técnica.
O papel simbólico da Cúpula
Embora a Cúpula de Líderes da COP30 não tenha poder decisório formal, seu peso político é reconhecido. O encontro serve como termômetro para medir o grau de engajamento dos países e antever o rumo das negociações oficiais da conferência, que seguirá nas próximas semanas em Belém.
Realizada no Parque da Cidade, a Cúpula ocorre no mesmo espaço das zonas azul e verde da COP30, áreas destinadas às discussões diplomáticas e eventos paralelos. É a primeira vez que uma cúpula global sobre o clima acontece em pleno coração da Amazônia, o que confere ao evento um simbolismo especial na busca por um novo pacto climático mundial.






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