Lula recebe príncipe William e Macron para definir rota global de financiamento climático; conheça as propostas

Encontro prepara terreno para a COP30 e discute plano trilionário para combater a crise ambiental com foco em países em desenvolvimento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe nesta quinta-feira (6), em Belém (PA), chefes de Estado e de governo para a Cúpula do Clima, reunião preparatória para a COP30, que será sediada na capital paraense em 2026. O encontro reúne líderes de países florestais tropicais e parceiros internacionais da agenda ambiental e marca o início de uma nova etapa na diplomacia climática brasileira.

Agenda de Lula na Cúpula

A programação começa cedo, às 8h30, com a recepção dos chefes de delegação no Parque da Cidade. Às 10h30, Lula abre oficialmente a sessão plenária no Salão Plenário, onde os líderes apresentarão discursos sobre combate às mudanças climáticas e financiamento da transição verde.

Durante o dia, o presidente participará de reuniões bilaterais, fará discursos e presidirá uma mesa temática sobre florestas e oceanos. O objetivo é articular compromissos concretos de cooperação internacional, especialmente para a proteção da Amazônia e de outros biomas tropicais.

Reuniões com príncipe William, Keir Starmer e Macron

A agenda internacional de Lula também inclui encontros bilaterais com lideranças de peso. Ao meio-dia, o presidente se reúne com o príncipe de Gales, William, e com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. O diálogo deve abordar parcerias em investimentos verdes e cooperação climática, temas prioritários da política ambiental brasileira.

Às 15h, Lula terá uma reunião com o presidente da França, Emmanuel Macron. Os dois devem discutir o fortalecimento de projetos conjuntos de preservação florestal e o aumento da contribuição internacional ao Fundo Amazônia.

Almoço e mesa de líderes florestais

Entre as reuniões, às 13h, Lula oferece um almoço aos chefes de Estado e de governo que integram o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa brasileira voltada ao financiamento da preservação das florestas tropicais.

O encontro contará com representantes de países da Amazônia, da África e do Sudeste Asiático, além de nações doadoras que apoiam financeiramente o fundo.

Sessão temática e encerramento

Às 16h, o presidente comanda a primeira sessão temática da Mesa Redonda de Líderes, com o tema “Clima e Natureza: Florestas e Oceanos”. A sessão discutirá mecanismos de proteção ambiental, financiamento climático e cooperação internacional.

A programação encerra às 18h15, com a foto oficial dos chefes de delegação, seguida de um coquetel oferecido por Lula e pela primeira-dama, Janja Lula da Silva, às 18h30.

Roteiro de Baku a Belém: um plano trilionário

Na véspera da cúpula, as presidências da COP29 (Azerbaijão) e da COP30 (Brasil) apresentaram em Belém um plano conjunto para mobilizar ao menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 em ações contra a crise climática.

Batizado de Roteiro de Baku a Belém, o documento propõe novas formas de arrecadar recursos, como taxas sobre aviação, bens de luxo e grandes fortunas, além de reformas no sistema financeiro global para liberar crédito e aliviar dívidas de países pobres.

Embora não tenha força de tratado, o roteiro funciona como um guia técnico e político para transformar promessas em investimentos concretos, com foco na adaptação a eventos climáticos extremos, na mitigação das emissões e na transição energética.

Principais propostas do plano

O Roteiro de Baku a Belém apresenta um conjunto de medidas que, somadas, podem gerar mais de um trilhão de dólares por ano. Entre elas:

  • Taxação de atividades poluentes e produtos de luxo, com contribuições progressivas de grandes fortunas;
  • Cobranças sobre aviação e transporte marítimo, com potencial de arrecadação entre US$ 4 e 223 bilhões anuais;
  • Imposto sobre transações financeiras em bolsas e derivativos, estimado entre US$ 105 e 327 bilhões;
  • Imposto mínimo corporativo global e tributação de riqueza pessoal, que poderiam gerar até US$ 1,3 trilhão;
  • Reemissão de Direitos Especiais de Saque (SDRs) pelo FMI, canalizando até US$ 500 bilhões por ano para ações climáticas;
  • Triplicação dos desembolsos dos fundos multilaterais de clima até 2030;
  • Revisão das políticas dos bancos multilaterais de desenvolvimento para ampliar sua capacidade de empréstimo;
  • Criação de cláusulas climáticas que suspendam pagamentos de dívida em caso de desastres naturais;
  • Fundos para uma “transição justa”, garantindo proteção a trabalhadores, mulheres e povos indígenas;
  • Harmonização dos mercados de carbono e destinação de parte da arrecadação a fundos internacionais.

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