O Brasil recebeu forte respaldo internacional ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), lançado em Belém na véspera da COP30. Apesar da adesão política de mais de 50 países, apenas quatro anunciaram contribuições financeiras iniciais, totalizando US$ 5 bilhões — ainda distante da meta de US$ 10 bilhões até 2026.
Contribuições iniciais: Noruega lidera os aportes
Entre os anúncios mais robustos está o da Noruega, que prometeu investir US$ 2,9 bilhões. A França se comprometeu com 500 milhões de euros, enquanto Holanda e Portugal destinarão valores menores para custos operacionais — 5 milhões e 1 milhão de euros, respectivamente.
Antes da conferência, apenas Brasil e Indonésia haviam divulgado contribuições de US$ 1 bilhão cada. A Alemanha deve revelar seu aporte ainda esta semana.
Haddad vê avanço, mas admite ritmo lento nos anúncios
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou positivamente os primeiros aportes, que já representam metade da meta inicial. Ele afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscará engajamento de líderes que não compareceram a Belém para ampliar o volume de doações.
Segundo Haddad, a baixa quantidade de anúncios imediatos é natural:
— Você não pode exigir que um país que acabou de conhecer o mecanismo anuncie o investimento de imediato — disse.
Declaração brasileira atrai mais de 50 países
A declaração apresentada pelo Brasil recebeu o apoio de 53 nações, incluindo Alemanha, Japão, Reino Unido, União Europeia e diversos países da África, Caribe e Oriente Médio. Apesar disso, o respaldo político não se traduziu em compromissos financeiros equivalentes.
O embaixador Maurício Lyrio destacou que entre os “potenciais investidores” estão China, Alemanha, Japão, Reino Unido e UE, fundamentais para destravar a participação do setor privado.
Como o TFFF pretende distribuir recursos
O plano prevê arrecadar US$ 25 bilhões de países doadores para alavancar outros US$ 100 bilhões do mercado privado até 2026. A fase inicial, estimada em US$ 10 bilhões, será destinada a países que comprovarem preservação efetiva de florestas tropicais.
Anualmente, o fundo busca gerar cerca de US$ 4 bilhões para pagamentos a mais de 70 países elegíveis e comunidades indígenas — estas receberiam 20% do total. O Banco Mundial foi escolhido como operador, aprovação que teve 24 votos favoráveis e apenas um contrário, dos Estados Unidos.
Florestas “mais valiosas em pé”
O documento assinado pelos países enfatiza a urgência em proteger florestas tropicais, fundamentais para segurança alimentar, hídrica e econômica. O texto também reforça a ideia de que é preciso garantir que “as florestas tropicais valham mais em pé do que destruídas”.
Condições da Noruega e expectativa por novos doadores
Maior investidor até agora, a Noruega prevê liberar seus recursos até 2035, com pagamento até 2075. O país impôs condições: ao menos US$ 9,79 bilhões devem ser assegurados por outros doadores até 2026; a participação norueguesa não poderá superar 20% do total; e o modelo deve manter risco financeiro controlado.
— Proteger as florestas tropicais é um investimento no futuro comum — afirmou o ministro norueguês Andreas Bjelland Eriksen, destacando a esperança de que mais países contribuam.
Frustração com Reino Unido e surpresa positiva de Portugal
Apesar de ter participado da concepção do fundo, o Reino Unido anunciou que não fará aporte neste momento, causando frustração entre negociadores. Já Portugal surpreendeu positivamente ao contribuir mesmo sem integrar o grupo fundador nem ter sido pressionado a fazê-lo.






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