O empresário Roberto Leme, conhecido como “Beto Louco”, apresentou proposta de delação premiada ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) que inclui o pagamento de R$ 1 bilhão em impostos devidos ao Estado. A informação foi divulgada pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
De acordo com a publicação, o valor corresponde ao montante que teria sido sonegado em um esquema de fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e outras irregularidades investigadas na operação Carbono Oculto, deflagrada no ano passado.
Proposta inclui revelações sobre autoridades
Nos documentos preliminares já entregues ao MPSP, o empresário se compromete a detalhar o funcionamento do esquema e apontar a suposta participação de servidores públicos e magistrados. A colaboração, caso aceita, pode ampliar o alcance das investigações.
Além de fornecer informações, “Beto Louco” se dispôs a ressarcir integralmente os cofres públicos, quitando os tributos que teriam sido sonegados no período investigado.
Procurado pela coluna, o advogado do empresário, Guilherme San Juan, não comentou o conteúdo da proposta.
Divergência interna no Ministério Público
A possível delação provocou divisão entre membros do Ministério Público paulista. Promotores que atuam no interior do estado são contrários ao acordo e defendem que ele seja rejeitado ainda nesta semana.
A decisão final deve caber ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa. A expectativa é que ele se manifeste nos próximos dias sobre a viabilidade da colaboração.
Oliveira e Costa deve ser reconduzido ao cargo pelo governador Tarcísio de Freitas após vencer a eleição interna da instituição realizada recentemente.
Foragido, empresário negocia à distância
Roberto Leme está foragido desde que teve a prisão decretada no âmbito das investigações. Mesmo fora do país, ele tem mantido contato frequente com sua equipe jurídica no Brasil para estruturar os termos da delação.
Antes de procurar o Ministério Público estadual, o empresário também tentou negociar um acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), mas não obteve sucesso.






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