A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, confirmou na noite desta quarta-feira (19) que a Alemanha vai investir 1 bilhão de euros no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). O valor coloca o país como o segundo maior financiador do programa, atrás apenas da Noruega. O anúncio ocorre dias após a repercussão negativa das falas do chanceler alemão, Friedrich Merz, sobre Belém, sede da COP30.
Aporte reforça meta brasileira para o TFFF
O investimento alemão, equivalente a 1,15 bilhão de dólares, era esperado desde a Cúpula de Líderes realizada há duas semanas, mas o momento surpreendeu, já que fontes oficiais indicavam que não haveria anúncio imediato. Com o novo aporte, o TFFF já soma cerca de 6,7 bilhões de dólares, aproximando-se da meta de 10 bilhões para o primeiro ano.
Além da Alemanha e da Noruega, que destinou 3 bilhões de dólares ao fundo, Brasil e Indonésia prometeram 1 bilhão de dólares cada. A França contribuirá com 500 milhões de euros, enquanto Holanda e Portugal farão aportes menores.
Marina Silva comemorou o reforço financeiro, afirmando que o fundo “começa a dar as respostas” esperadas por sua estrutura de financiamento sustentável.
Lula elogia organização em Belém e alfineta declarações alemãs
Durante seu discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a organização do Pará para receber a COP30 e afirmou que o evento colocou Belém no mapa global. Ao mencionar outras capitais internacionais, Lula citou Berlim e ironizou: “Hoje tenho certeza que Berlim conhece Belém”.
A declaração ocorre após o governo da Alemanha divulgar uma nota de retratação na terça-feira (18), reafirmando o “grande respeito” de Merz pela realização da conferência no Pará e elogiando a “natureza impressionante” da Amazônia.
Reações no Brasil e na Alemanha após a fala de Merz
A polêmica começou quando Merz disse, durante o Congresso Alemão do Comércio, que jornalistas que o acompanharam à COP30 estariam “contentes” por deixar Belém. A fala gerou críticas no Bundestag, especialmente de membros do Grupo Parlamentar Teuto-Brasileiro, que classificaram o comentário como expressão de “arrogância ocidental”.
No Brasil, a reação foi imediata. O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), chamou a declaração de “preconceituosa” e lembrou a responsabilidade histórica dos países europeus no aquecimento global. O prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), afirmou que a cidade continuará oferecendo “calor humano, acolhimento e amor”, apesar da “arrogância” do chanceler.
Parlamentares brasileiros, como Duda Salabert (PDT-MG) e Randolfe Rodrigues (PT-AM), também criticaram Merz, destacando o tom desrespeitoso e a contradição entre o discurso europeu e sua participação na crise climática.






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