Uma nevasca repentina e intensa atingiu o Monte Everest desde a última sexta-feira (3), deixando mais de 200 alpinistas presos em diferentes pontos da montanha. As equipes de resgate conseguiram levar cerca de 350 pessoas a um local seguro, na cidade de Qudang, mas ainda há centenas isoladas em meio ao frio extremo e à baixa visibilidade.
Testemunhos de medo e resistência
Alpinistas relataram momentos de desespero durante a tempestade. Um deles contou que precisou sair da barraca a cada dez minutos para retirar o acúmulo de neve, enquanto outra pessoa afirmou ter temido morrer soterrada. Um montanhista de 41 anos não resistiu à hipotermia e morreu no local.
Escalada perigosa e superlotação
A nevasca teria afetado cerca de mil pessoas em acampamentos localizados a quase 5 mil metros de altitude. O Everest, dividido entre o Nepal e a Região Autônoma do Tibete, na China, é destino de milhares de aventureiros todos os anos, mas a escalada continua sendo uma das mais perigosas do mundo. Especialistas e autoridades vêm alertando sobre o risco crescente da superlotação e dos impactos ambientais na montanha.
Condições extremas em época turística
A tragédia ocorre durante o feriado chinês da Semana Dourada, período de grande fluxo turístico. Outubro é tradicionalmente um mês de clima mais estável e céu limpo, o que atrai expedições internacionais. No entanto, guias experientes afirmaram nunca ter enfrentado uma tempestade tão severa nesta época do ano.
Mudanças climáticas agravam riscos
O especialista britânico Nick Hollis destacou que a crise climática tem tornado cada vez mais imprevisíveis as condições meteorológicas em regiões de alta montanha. “Antes, era possível planejar uma expedição com base nas estações. Hoje, o comportamento do clima é instável em todo o planeta — e o Everest não é exceção”, afirmou.






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