O médico Silvano Raia, referência nacional e internacional na área de transplantes de órgãos, morreu aos 95 anos. A informação foi confirmada nesta terça-feira (28) pela Academia Nacional de Medicina (ANM). Até o momento, a causa da morte não foi divulgada.
Professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), Raia construiu uma trajetória marcada por inovação científica e contribuição decisiva para o avanço da medicina brasileira. Seu nome ficou eternizado por liderar, na década de 1980, o primeiro transplante de fígado realizado na América Latina, procedimento conduzido no Hospital das Clínicas da USP.
A conquista colocou o Brasil em posição de destaque no cenário internacional e abriu caminho para a expansão dos transplantes hepáticos no continente.
Pioneirismo em transplantes revolucionou medicina
Além do marco histórico do transplante hepático, Silvano Raia foi responsável pelo desenvolvimento da técnica de transplante de fígado com doador vivo, conhecida como transplante intervivos.
O método ampliou significativamente as possibilidades cirúrgicas, especialmente para pacientes pediátricos, reduzindo o tempo de espera por órgãos e aumentando as chances de sucesso em procedimentos complexos.
A inovação criada pelo médico brasileiro passou a ser adotada em diferentes países e consolidou Raia como uma das maiores autoridades mundiais no segmento.
Atuação científica permaneceu ativa até os últimos anos
Mesmo após décadas de carreira, o cirurgião continuou envolvido em pesquisas de ponta. Nos últimos anos, dedicou-se aos estudos sobre xenotransplantes, área que investiga o uso de órgãos de animais geneticamente modificados em humanos.
Em março deste ano, Raia liderou uma iniciativa da USP que culminou na clonagem do primeiro porco do Brasil e também da América Latina, feito considerado estratégico para o avanço científico nacional.
O experimento foi visto como passo importante para futuras pesquisas voltadas ao transplante de órgãos e tecidos.
Instituições destacam legado de excelência
Em nota oficial, a Academia Nacional de Medicina lamentou a morte e ressaltou a trajetória marcada por excelência, inovação e dedicação ao ensino e à assistência médica. Raia integrava a entidade como membro titular desde 1991.
Reconhecido por sua influência acadêmica e institucional, também foi fundador da Sociedade Latino-Americana de Hepatologia, presidindo a organização em 1968.
No Brasil, comandou a Sociedade Brasileira de Hepatologia entre 1982 e 1983 e participou de entidades como Associação Paulista de Medicina e Associação Médica Brasileira.
Entre 1993 e 1995, exerceu ainda o cargo de secretário municipal de Saúde de São Paulo.
Ministério da Saúde ressalta impacto no SUS
O Ministério da Saúde também manifestou pesar e destacou a relevância do médico para o fortalecimento do sistema de transplantes no Brasil.
Segundo a pasta, Silvano Raia teve papel decisivo na estruturação e expansão da rede nacional de transplantes dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para ampliar o acesso da população a procedimentos de alta complexidade.
Antonio Egidio Nardi, presidente da Academia Nacional de Medicina, definiu Raia como um líder incontestável da medicina brasileira.
“Mais do que um grande cirurgião, foi exemplo de compromisso com a ciência, com os pacientes e com o futuro da medicina nacional”, afirmou.
O velório e despedida de Silvano Raia ocorreu nesta terça-feira (28) no Teatro da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo.
A morte encerra a trajetória de um dos maiores nomes da medicina brasileira, responsável por transformar a história dos transplantes e impulsionar pesquisas inovadoras no país.





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