Nepal: buscas entram no 4º dia com 750 mortos e 3 mil desaparecidos

Colapso de geleira causou destruição na fronteira com a China e mobilizou ajuda internacional de emergência

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As operações de busca por vítimas das intensas enchentes e deslizamentos na região de fronteira entre o Nepal e a China chegaram ao quarto dia neste domingo (30). As autoridades locais contabilizam 750 mortos — dos quais 734 ocorreram em solo nepalês e 16 no território chinês — e mais de 3 mil pessoas permanecem desaparecidas. A estimativa da Cruz Vermelha aponta que mais de 9 mil indivíduos foram diretamente impactados pela catástrofe.

A tragédia foi provocada pelo colapso de uma geleira no Himalaia, evento que gerou um enxame de lama e destruição ao longo da bacia do rio Trishuli. As equipes de resgate nepalesas já conseguiram salvar 7.514 pessoas, enfrentando graves dificuldades operacionais devido ao mau tempo, à elevação contínua do nível dos rios e ao risco de transbordamento de lagos formados pelo acúmulo de escombros.

Foco em usinas hidrelétricas e apelo por cooperação internacional

Neste momento, os esforços dos socorristas concentram-se no resgate de centenas de trabalhadores que estão presos dentro de túneis de usinas hidrelétricas atingidas pelo avanço das águas. O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, classificou o evento como o desastre mais grave dos últimos anos na região.

Para lidar com a dimensão dos estragos, o governo do Nepal solicitou suporte técnico internacional especializado de equipes preparadas para atuar em túneis inundados, suporte para testes de DNA e reconhecimento de restos mortais em decomposição e infraestrutura para armazenamento refrigerado de corpos.

Apesar do apelo técnico, o chanceler nepalês, Shisir Khanal, reforçou que o país conduzirá os trabalhos de busca e salvamento em geral com suas próprias forças de segurança, dispensando o envio de socorristas estrangeiros de campo.

Impactos econômicos e ajuda humanitária

A infraestrutura da região sofreu severos danos. Duas dezenas de pontes foram completamente destruídas, isolando comunidades e comprometendo rotas de comunicação.

O Ministério das Finanças do Nepal estima que o custo de reconstrução das áreas devastadas irá variar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões, cerca de R$ 25,9 bilhões.

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