O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28) um acordo petrolífero com a Venezuela que, segundo ele, dará aos americanos o controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo no país sul-americano. A parceria também prevê quase US$ 100 bilhões em investimentos privados na Venezuela.
Trump divulgou o acordo pela Truth Social. De acordo com o presidente americano, a operação não terá custos para os contribuintes dos Estados Unidos e poderá mais que dobrar as reservas petrolíferas do país.
O republicano afirmou que os termos foram acertados pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, em colaboração com a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez.
EUA miram reservas gigantes
O tamanho das reservas venezuelanas ajuda a explicar a importância estratégica do acordo anunciado por Trump.
Segundo dados da Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), a Venezuela possuía aproximadamente 303 bilhões de barris em reservas comprovadas de petróleo em 2023.
O volume correspondia a cerca de 17% de todas as reservas mundiais e colocava o país na liderança global nesse indicador.
A disponibilidade de petróleo no subsolo, entretanto, não se reflete na produção. Apesar de possuir aproximadamente 17% das reservas mundiais, a Venezuela respondeu por apenas 0,8% da produção global em 2023.
Grande parte do petróleo venezuelano está concentrada na faixa do Orinoco e é extrapesada, característica que torna sua exploração mais complexa e exige maior capacidade técnica e investimentos.
Investimento pode chegar a US$ 100 bilhões
Marco Rubio afirmou que o acordo representa a estratégia do governo Trump para assegurar reservas estáveis e petróleo de baixo custo no continente americano.
Segundo o secretário de Estado, a medida também poderá contribuir para diminuir o preço da gasolina nos Estados Unidos.
“Para o povo venezuelano, este acordo trará quase US$ 100 bilhões em investimentos privados, apoiará milhares de empregos bem remunerados e impulsionará a reconstrução da economia da Venezuela”, declarou Rubio.
Um dia antes do anúncio de Trump, o site Axios havia informado que o governo americano negociava com a administração interina de Delcy Rodríguez uma participação dos Estados Unidos em campos petrolíferos venezuelanos.
Segundo a publicação, as negociações envolviam mais de uma dúzia de campos, com aproximadamente 90 bilhões de barris em reservas comprovadas.
Por que a Venezuela produz tão pouco petróleo?
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, mas enfrenta obstáculos para transformar esse potencial em produção.
Segundo a EIA, sanções internacionais, limitações orçamentárias da estatal PDVSA, falta de trabalhadores qualificados e baixos investimentos estrangeiros prejudicaram o desenvolvimento da indústria venezuelana de petróleo e gás.
O país produz atualmente cerca de 1,25 milhão de barris de petróleo bruto por dia.
Desde que os Estados Unidos capturaram e retiraram Nicolás Maduro do poder, em janeiro, Washington busca assegurar um fluxo estável de petróleo venezuelano para refinarias americanas e incentivar investimentos na deteriorada infraestrutura energética do país.
Gasolina entra no cálculo de Trump
O acordo também tem peso na política interna americana. O governo Trump enfrenta pressão relacionada aos preços da gasolina às vésperas das eleições de meio de mandato, previstas para novembro.
O aumento da oferta e o acesso a petróleo mais barato poderiam ajudar a reduzir os preços dos combustíveis para consumidores americanos, uma das vantagens destacadas por Rubio ao anunciar a parceria.
Washington também procura alternativas para recompor sua reserva estratégica de petróleo, incluindo a possibilidade de realizar permutas de petróleo bruto com produtores dos Estados Unidos.






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