As operações para encontrar mais de 1500 pessoas desaparecidas após uma avalanche devastar uma região montanhosa na fronteira entre Nepal e Tibete entraram no segundo dia nesta quarta-feira (26). Equipes de resgate tentam alcançar comunidades isoladas em meio a um cenário de destruição, enquanto familiares aguardam informações sobre parentes e turistas que ainda não foram localizados.
Do total de mortos, 359 foram registrados no Nepal e 3 no Tibete. O desastre aconteceu na quarta-feira (26), depois que uma avalanche de gelo e rochas atingiu um rio e provocou uma enorme enxurrada de água, lama e destroços.
Ao todo, 1.468 pessoas estão desaparecidas, segundo os balanços oficiais dos dois países. No Nepal, há 910 pessoas desaparecidas – entre elas, estão mais de 700 são estrangeiros; no Tibete, são 558 pessoas desaparecidas, incluindo 260 estrangeiros. Entre os estrangeiros desaparecidos no Nepal estão 178 indianos, 65 estadunidenses, 53 ucranianos, 51 malaios, 35 australianos, 33 britânicos e 25 canadenses.
As buscas são dificultadas pela destruição provocada pela avalanche de água, gelo, lama e rochas. Vilarejos inteiros foram arrastados, e estradas e pontes ficaram comprometidas, restringindo o deslocamento terrestre das equipes até algumas das áreas mais afetadas.
Helicópteros passaram a ser utilizados para chegar a pontos isolados e retirar sobreviventes. Em determinadas regiões, entretanto, as condições encontradas pelas equipes impedem ou dificultam o pouso das aeronaves.
Famílias aguardam notícias no segundo dia de buscas
No Nepal, moradores das áreas atingidas se concentraram diante de uma base do Exército que passou a funcionar como centro das operações de busca e salvamento. Familiares tentam descobrir se parentes estão entre os sobreviventes resgatados ou entre as vítimas encontradas pelas equipes.
O segundo dia de buscas também expõe relatos de moradores que conseguiram escapar da avalanche, mas perderam familiares. Keshav Prasad Baral, de 68 anos, contou que tentou salvar a mulher quando percebeu que uma enorme massa de lama avançava em direção à residência do casal.
“Era uma enorme onda de lama vindo diretamente em nossa direção. À medida que se aproximava, ela ficava cada vez mais alta. Quando vi a lama entrando em casa, tentei segurar a mão da minha mulher e levá-la para o terraço. Mas ela foi arrastada”, contou.
Baral só conseguiu deixar a região horas depois, com a chegada de uma aeronave de resgate.
“Quatro ou cinco horas depois, um helicóptero veio me resgatar. Minha mulher ainda está em algum lugar debaixo da lama. Ela se foi.”
A extensão da destruição também foi relatada por Tula Bahadur BK, profissional de saúde na região de Rasuwa.
“Há destruição por todos os lados”, disse à Reuters. “Os assentamentos próximos ao rio foram completamente arrastados. Cinco dos meus próprios parentes estão desaparecidos.”
Estradas e pontes destruídas dificultam resgates
A infraestrutura destruída representa um dos principais obstáculos para as equipes neste segundo dia de operações. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, a enchente provocada pela avalanche percorreu aproximadamente 168 quilômetros.
Ao longo do trajeto, cerca de 70 pontes foram derrubadas e mais de 40 quilômetros de estradas sofreram danos. Uma usina hidrelétrica também foi atingida.
Sem acesso terrestre regular a determinadas comunidades, os socorristas dependem de helicópteros e de deslocamentos por terrenos acidentados para chegar aos locais onde há possibilidade de encontrar sobreviventes.
Imagens registradas durante a tragédia mostram a velocidade com que a massa de água, lama e sedimentos avançou pelo vale. Pessoas aparecem tentando fugir enquanto a enxurrada alcança prédios, veículos e outras estruturas.
A destruição de comunidades próximas ao rio também dificulta determinar quantas pessoas estavam em cada localidade no momento do desastre, o que aumenta a complexidade do levantamento de vítimas e desaparecidos.
Colapso de geleira pode ter desencadeado tragédia
Enquanto as equipes mantêm as buscas, especialistas investigam o que provocou o desastre. A principal hipótese é que uma geleira tenha entrado em colapso na montanha Langtang Lirung, que tem mais de 7 mil metros de altitude.
Inicialmente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou um terremoto na região no momento da tragédia. Posteriormente, o órgão esclareceu que o tremor teria sido provocado pelo próprio colapso da geleira.
A hipótese considerada mais provável aponta para um efeito dominó. A avalanche teria começado na parte mais elevada da montanha e avançado pelas encostas carregando rochas, gelo e água armazenada em reservatórios naturais.
Esse enorme volume alcançou o canal do rio Lhende Khola e provocou uma enchente que avançou pelas áreas povoadas.
Segundo o NepalNews, com base em informações da Divisão de Previsão de Enchentes do país, houve um aumento repentino de aproximadamente 20 milhões de metros cúbicos de água na bacia hidrográfica da região.
No segundo dia de buscas, porém, a prioridade permanece na localização das mais de mil pessoas ainda desaparecidas. Com centenas de turistas estrangeiros entre os que não foram encontrados e comunidades isoladas pela destruição das vias, as equipes trabalham contra o tempo para alcançar novas áreas e procurar sobreviventes.







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