O Brasil foi acionado pelos Estados Unidos para participar da investigação sobre um incidente envolvendo o Marine One, helicóptero que transportava o presidente Donald Trump, e um avião comercial Embraer E-170. As duas aeronaves tiveram uma perda de separação nas proximidades do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, no dia 4 de agosto.
O caso é investigado pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB). A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), informou que foi notificada oficialmente pelo órgão americano no último domingo (23).
O Cenipa designou um investigador para participar da apuração como Representante Acreditado do Brasil.
Por que o Brasil foi acionado?
A participação brasileira ocorre porque o avião comercial envolvido no incidente é um Embraer E-170, aeronave de projeto brasileiro.
O procedimento segue normas da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). Pelas regras previstas no Anexo 13 da Convenção sobre Aviação Civil Internacional, o país responsável pelo projeto da aeronave pode participar da investigação.
Como o episódio aconteceu em território americano, cabe aos Estados Unidos conduzir a apuração. Brasil e EUA são signatários da Convenção de Chicago.
Segundo a FAB, a participação do Cenipa segue os protocolos internacionais de investigação e cooperação para a segurança da aviação.
Aeronaves ficaram próximas
O incidente envolveu o Marine One, um Sikorsky VH-3D operado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, e o voo 3742 da Envoy Air.
O Embraer E-170 havia acabado de decolar de Washington com destino a Pensacola, na Flórida, quando ocorreu a aproximação.
De acordo com o relatório preliminar do NTSB, as aeronaves sofreram uma perda de separação a aproximadamente duas milhas ao norte do aeroporto.
Estimativa preliminar da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) indica que o helicóptero e o avião chegaram a aproximadamente 0,82 milha náutica de distância lateral e 700 pés de distância vertical.
Apesar da ocorrência, os dois voos foram concluídos. O Marine One terminou seu trajeto local sem outros incidentes, enquanto o Embraer seguiu normalmente para a Flórida.
A Casa Branca afirmou que Donald Trump não esteve em perigo.
Falha de comunicação é investigada
Um dos principais pontos da investigação é uma falha de comunicação entre a equipe responsável pelo voo presidencial e a torre de controle.
O protocolo para operações envolvendo o presidente americano determina que a equipe do Marine One comunique a torre do Aeroporto Reagan três minutos antes da decolagem.
A partir desse aviso, pousos e decolagens na região deveriam ser temporariamente interrompidos para permitir a passagem do helicóptero presidencial.
No dia do incidente, entretanto, a torre não recebeu adequadamente essa comunicação.
Segundo o NTSB, a equipe do Marine One tentou estabelecer contato pelo menos duas vezes. Na primeira tentativa, a transmissão não foi recebida. Na segunda, o sinal chegou fragmentado e estava completamente inaudível para o controlador.
Sem o aviso previsto, o controlador autorizou a decolagem do voo 3742 da Envoy Air. Dessa forma, o Embraer começou a subir enquanto o helicóptero presidencial também deixava o solo.
Avião recebeu alerta de tráfego
Já no ar, as aeronaves conseguiram estabelecer comunicação. A tripulação do avião comercial informou que mantinha contato visual com o helicóptero, enquanto a equipe do Marine One também identificou o outro tráfego.
Durante a subida, porém, os pilotos do Embraer relataram ter recebido um alerta do Sistema de Alerta de Tráfego e Prevenção de Colisões em Voo (TCAS).
O equipamento emitiu um Traffic Advisory (TA), acompanhado do aviso sonoro “Traffic, Traffic”.
Mesmo com o alerta, os tripulantes disseram que não conseguiram identificar visualmente o alvo apontado pelo sistema naquele momento. Segundo o relato, o equipamento indicava cerca de 600 pés de separação vertical quando o alvo passou atrás da asa direita representada na tela.
A investigação conduzida pelo NTSB, agora com a participação de um representante brasileiro do Cenipa, deverá aprofundar a análise sobre a falha de comunicação e as circunstâncias que permitiram que o Marine One e o avião comercial decolassem praticamente ao mesmo tempo.






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