A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou que o país não perdeu a soberania nem a gestão sobre a exploração do seu petróleo após o acordo fechado com os Estados Unidos. A fala ocorreu em pronunciamento na televisão estatal do país, neste sábado (29), e contradiz diretamente o anúncio feito pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
De acordo com Trump, o termo assinado garantiria aos Estados Unidos o “controle majoritário” de mais de 65 bilhões de barris das reservas provadas venezuelanas. Delcy, por outro lado, sustentou que as riquezas minerais continuam sob domínio da nação sul-americana e que a parceria tem como finalidade exclusiva gerar recursos para o desenvolvimento econômico e social do povo venezuelano.
Impasse diplomático e interesses em jogo
As divergências ocorrem em meio à presença ostensiva dos Estados Unidos no país. A articulação envolve diretamente o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o secretário de Guerra, Pete Hegseth, na gestão do fluxo de produção de combustíveis junto à administração interina de Caracas.
A negociação sobre as reservas sul-americanas reflete diferentes pressões estratégicas do governo dos Estados Unidos:
- Soberania vs. contradição: enquanto Delcy reafirma o controle nacional das reservas, Donald Trump declarou publicamente que a negociação dobra o montante das reservas mantidas sob influência americana.
- Presença de tropas: na prática, Washington assumiu forte influência no país após a operação militar que capturou e retirou o ex-presidente Nicolás Maduro do poder no início do ano.
- Abastecimento e mercado interno: os EUA buscam estabilizar o fornecimento de petróleo bruto venezuelano para suas refinarias, visando conter a inflação no preço da gasolina antes das eleições de meio de mandato e recompor a sua Reserva Estratégica.
- Produção atual: a Venezuela registra atualmente uma produção diária na casa de 1,25 milhão de barris de petróleo bruto.






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