A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que assegurou a vitória de Douglas Ruas (PL) no primeiro turno da eleição para governador do Rio de Janeiro mal havia sido anunciada quando o político já se envolvia em outra disputa eleitoral. Na quinta-feira (8), horas depois de a Corte anular os votos de Anthony Garotinho (Republicanos), Ruas gravou um vídeo de apoio a Kelaine Goulart, candidata à Prefeitura de Itaguaí, município de aproximadamente 125 mil habitantes na Região Metropolitana do Rio.
A gravação ocorreu depois que Ruas retornou de Brasília e concedeu uma entrevista coletiva na sede estadual do PL, no Rio. No vídeo, ele levou para a eleição suplementar de Itaguaí, marcada para 25 de outubro, o confronto político entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno da eleição presidencial na mesma data.
Ruas, que já participa da campanha de Flávio à Presidência, pediu votos para Kelaine, filiada ao Novo, e associou as demais candidaturas municipais ao projeto político do PT. A declaração transformou a gravação de apoio à candidata em uma manifestação sobre a disputa nacional.
Ruas associa adversários de Kelaine ao PT
“As outras candidaturas estão aliadas a um projeto, que é o projeto do Lula, o projeto do PT que tão mal fez a nossa população brasileira nos últimos 4 anos. Itaguaí não quer isso, Itaguaí quer mudança e quem está alinhada com Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas é Kelaine Goulart. Então é 30 pra prefeita e 22 Flávio Bolsonaro para presidente”, afirmou Ruas.
O político também pediu mobilização dos apoiadores para a eleição municipal, vinculando novamente o nome de Queilane ao do candidato presidencial do PL.
“Peço a todos que colaboraram para no dia 25 a gente confirmar a mudança em Itaguaí com 30 em Kelaine Goulart e Flávio Bolsonaro 22 para presidente”, declarou.
Ao lado dele, Kelaine agradeceu o apoio partidário e reforçou a associação das duas candidaturas.
“É isso. Muito obrigada governador. Quero agradecer a todos no PL que abraçou minha candidatura e agora, no próximo dia 25 é Flávio 22 e Kelane 30”, disse.
A manifestação ocorreu no mesmo dia em que Ruas passou a tratar publicamente de suas prioridades para o governo estadual, após a decisão do TSE sobre os votos de Garotinho.
Eleição reúne seis candidatos, incluindo representante do PT
A disputa pela Prefeitura de Itaguaí conta com seis candidaturas inicialmente registradas na Justiça Eleitoral. Entre os concorrentes está Luciano Mota (PT), que tem Dr. Paulo Wesley, também do PT, como candidato a vice-prefeito.
A presença de uma chapa petista dá um componente local à polarização nacional explorada por Ruas. Entretanto, ao afirmar que todas as outras candidaturas estão vinculadas ao projeto de Lula, o político do PL ampliou essa associação para adversários de diferentes partidos.
Também disputam a prefeitura Alexandre Valle (PL), Haroldinho Jesus (PDT), atual prefeito em exercício, Dr. Helinho (PRD) e Marcelo Cunha (Democrata). A candidata apoiada por Ruas aparece nos registros da Justiça Eleitoral como Kelaine Goulart (Novo), tendo Beto do Posto como vice.
Desistência de Alexandre Valle abriu caminho para apoio a Kelaine
A decisão de Douglas Ruas de apoiar Queilane Goulart ocorreu após a desistência do ex-presidente da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) e ex-deputado federal Alexandre Valle (PL), que renunciou à candidatura à Prefeitura de Itaguaí no início de outubro.
Por que Itaguaí terá uma nova eleição?
A eleição suplementar foi convocada após o TSE confirmar o indeferimento da candidatura de Rubem Vieira de Souza, conhecido como Dr. Rubão, que havia vencido a disputa municipal de 2024.
Por unanimidade, os ministros entenderam que a candidatura configurava uma tentativa de terceiro mandato consecutivo à frente da prefeitura, situação proibida pela Constituição Federal. Com a decisão, a Justiça Eleitoral determinou a realização de uma nova votação para prefeito e vice-prefeito.
A escolha dos novos dirigentes municipais ocorrerá em 25 de outubro, mesma data do segundo turno da eleição presidencial. A coincidência permite que a campanha local seja atravessada pelo confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro.







Deixe um comentário