A mulher espancada por um vizinho em um condomínio na Tijuca, na Zona Norte do Rio, sofreu uma fratura no rosto, pode precisar de cirurgia e teme continuar vivendo no edifício. Em entrevista à GloboNews, ela contou que quase perdeu a consciência ao ser imobilizada com um mata-leão enquanto tentava ajudar outros moradores.
“Ele tinha ódio, muito ódio. Ele estava com a intenção de matar alguém. Ele falava o tempo todo só em matar”, afirmou a vítima, cuja identidade foi preservada por segurança.
Lucas Portela Fontana Gomes está preso no Presídio de Benfica. A administração do condomínio pediu providências ao proprietário do apartamento alugado por ele e avalia recorrer à Justiça para impedir seu retorno.
Ataque após pedido de socorro
A moradora, de 40 anos, contou que dormia quando ouviu gritos. Ao descer, encontrou uma família que relatava a invasão de seu apartamento e dizia que uma idosa permanecia no imóvel.
Ao subir para verificar a situação, encontrou Lucas no elevador. Segundo ela, o homem ordenou que se ajoelhasse e começou a agredi-la quando não obedeceu. Câmeras registraram socos, cotoveladas e um golpe de estrangulamento.
“Quando ele tentou me dar um mata-leão, eu quase desmaiei, mas consegui reagir. Foi aí que clamei por Deus. Pensei: ‘Meu Deus, será que eu vou morrer?’. Eu estava ficando sufocada”, relatou.
A mulher conseguiu sair do prédio e se abrigar em um posto de gasolina. Socorrida pelos bombeiros, foi levada ao hospital. Uma idosa de 81 anos também foi agredida, segundo os relatos reunidos na investigação.
Medo de novas agressões
Além dos ferimentos, a vítima descreveu o impacto emocional do ataque e disse que nunca havia tido contato com o investigado.
“Apesar das dores do corpo, eu acho que a dor da alma é pior. A do corpo a gente cuida, mas agora a da alma já é complicado”, afirmou.
A advogada Marisa Dreys, que representa as vítimas, informou que foram solicitadas medidas protetivas. A defesa também trabalha na coleta de provas para a investigação.
Condomínio avalia ação judicial
Segundo o advogado do condomínio, André Luiz Junqueira, Lucas mora no edifício há cerca de quatro anos e não tinha registros anteriores de conflitos relevantes na administração.
O proprietário foi comunicado para adotar providências visando ao despejo. Paralelamente, o condomínio estuda uma ação para excluir o morador por comportamento antissocial.
Junqueira explicou que a administração avalia recorrer diretamente à Justiça, sem assembleia prévia, diante do receio de represálias contra os moradores.
Segundo o registro policial, Lucas reagiu à abordagem de PMs e guardas municipais e tentou pegar a arma de um policial. Foi baleado nas pernas e imobilizado com uma arma de choque.






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