O Ministério Público Federal (MPF) deu mais um passo importante rumo à implantação do Memorial da Casa da Morte em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. A iniciativa busca transformar o imóvel que funcionou como centro clandestino de tortura durante a ditadura militar em um espaço dedicado à preservação da memória, à educação histórica e ao reconhecimento das violações de direitos humanos cometidas no período.
Em reunião realizada no dia 8 de julho, representantes de diversas instituições se reuniram na cidade para discutir os próximos passos do projeto. Estavam presentes membros do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), da Universidade Federal Fluminense (UFF), das secretarias municipais de Turismo e de Educação, do Instituto Municipal de Cultura e do Grupo Pró-Memorial Casa da Morte.
A reunião, coordenada pela procuradora da República Vanessa Seguezzi, tratou da integração entre os órgãos públicos e da definição das etapas técnicas para a estruturação do futuro centro de memória. Um dos pontos centrais do encontro foi a necessidade de garantir a posse definitiva do imóvel, atualmente em processo judicial de desapropriação, o que permitirá o desenvolvimento completo do projeto museológico.
A UFF, que atua na execução técnica da proposta, apresentou o andamento das pesquisas e atividades já iniciadas, como seminários e a elaboração de cursos de formação voltados para professores da rede municipal e guias de turismo. O objetivo é preparar a cidade para receber um espaço com conteúdo sensível, histórico e educativo.
Também foi discutido o Termo de Convênio nº 1/2024, firmado entre o MDHC e o município, que prevê a cooperação institucional para viabilizar o memorial. A proposta reforça a importância da participação da sociedade civil no processo, garantindo que o futuro centro não seja apenas um local de exposição, mas também de reflexão, formação cidadã e resistência democrática.
Como encaminhamento, foram definidas ações práticas, como o envio de documentos pelas instituições envolvidas, a realização de um curso de formação para integrantes do secretariado municipal e a convocação de uma nova reunião técnica.
“O aprofundamento do diálogo entre os entes públicos e a sociedade civil é essencial para transformar esse local em um verdadeiro espaço de memória, verdade e justiça”, afirmou a procuradora Vanessa Seguezzi.
A criação do Memorial da Casa da Morte é uma das mais significativas iniciativas de resgate da memória da repressão no Brasil, em um momento em que crescem os debates sobre a valorização da democracia e os riscos da negação histórica.






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