Deputados visitam Casa da Morte, que será transformada em memorial da ditadura

Imóvel usado como centro clandestino de tortura recebe repasse de R$ 1,4 milhão e será restaurado com apoio do Ministério dos Direitos Humanos e emendas parlamentares

A visita de parlamentares à Casa da Morte, em Petrópolis, simbolizou um passo importante na preservação da memória sobre os crimes cometidos durante a ditadura militar. Utilizada como centro clandestino de tortura e assassinato na década de 1970, a residência localizada no bairro do Caxambu será transformada em um memorial voltado à promoção dos direitos humanos.

Na semana passada, a 4ª Vara Cível da Comarca de Petrópolis autorizou a posse do imóvel pela prefeitura, viabilizando a iniciativa. Um convênio firmado entre o município e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) assegura um repasse de R$ 1,4 milhão para a restauração e implementação do espaço.

A transformação da Casa da Morte em memorial foi um dos principais compromissos assumidos durante a visita da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) à cidade no último fim de semana. Ao lado do deputado estadual Yuri Moura (PSOL-RJ), ela anunciou uma emenda de R$ 500 mil para contribuir com a instalação do futuro Centro de Memória, Verdade e Justiça.

“Sem memória, não há justiça. E sem justiça, não há verdade. Esta é uma vitória da democracia brasileira, dos movimentos sociais e da luta histórica por direitos humanos. Estou muito emocionada por fazer parte deste momento”, afirmou a parlamentar.

A gestão do imóvel será compartilhada com a Universidade Federal Fluminense (UFF), por causa das pesquisas desenvolvidas sobre o tema, além do trabalho de mapeamento, negociações com a comunidade local e estudos sobre a implantação do memorial.

A história clandestina do imóvel foi descoberta graças à atuação de Inês Etienne Romeu, que morreu em 2015. Ela foi sequestrada pelos militares em 1971 e torturada no local durante 3 meses. O caso chegou à Comissão Nacional da Verdade em 2012. Desde então, tentava-se desapropriar o imóvel, mas a prefeitura alegava falta de dinheiro.

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