MP pede que TCU atue para STJ suspender remuneração de Buzzi após acusações de assédio

Representação ao TCU solicita medida cautelar para interromper remuneração de ministro investigado por denúncias de importunação sexual

O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, Lucas Rocha Furtado, apresentou representação para que o TCU atue junto ao Superior Tribunal de Justiça pela suspensão imediata do pagamento de remuneração ao ministro Marco Buzzi. O magistrado foi afastado provisoriamente do cargo nesta semana após ser acusado de crime sexual por duas mulheres — a filha de um casal de amigos e uma ex-servidora terceirizada de seu gabinete. Ele nega as acusações e afirma ser inocente.

A iniciativa do subprocurador foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo jornal O Globo. Enquanto estiver afastado, Buzzi permanece impedido de utilizar o gabinete, veículo oficial e demais prerrogativas do cargo, conforme decisão do STJ. A remuneração, contudo, segue sendo paga. O salário do ministro é de cerca de R$ 44 mil mensais. De acordo com levantamento divulgado pela GloboNews, com abonos, auxílios, verbas retroativas e outros adicionais, Buzzi recebeu R$ 751 mil brutos no último quadrimestre de 2025 — mais de R$ 600 mil líquidos.

Pedido de medida cautelar

Na representação apresentada ao TCU, Lucas Rocha Furtado solicita a adoção de medida cautelar para que o tribunal defenda, junto ao STJ, a suspensão de qualquer pagamento enquanto durar o afastamento. O subprocurador argumenta que a medida se justifica “considerando a gravidade das acusações e a necessidade de resguardar os princípios constitucionais da moralidade, eficiência e economicidade”.

Ele também defende que o TCU promova apuração sobre os valores já pagos ao ministro desde o afastamento, citando a possibilidade de eventual restituição ao erário.

Segundo Furtado, as denúncias não tratam de infrações administrativas leves, mas de acusações de importunação sexual, conduta que, em sua avaliação, compromete a dignidade das vítimas e a credibilidade do Judiciário.

“Permitir que um magistrado acusado de tais condutas continue a receber remuneração integral, custeada pelos contribuintes, é um verdadeiro escárnio com a sociedade brasileira. Trata-se de um desrespeito às mulheres vítimas de violência, às famílias que dependem de serviços públicos de qualidade e a todos os cidadãos que esperam que os recursos públicos sejam utilizados de forma responsável e ética”, afirma Furtado, na representação.

Denúncias e investigação

A primeira acusação foi apresentada por uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro. Segundo relato, no dia 9 de janeiro, durante temporada na casa de praia de Buzzi, no litoral de Santa Catarina, ele teria tentado agarrá-la repetidas vezes no mar.

A segunda denúncia partiu de uma funcionária terceirizada que atuava como secretária no gabinete. Em relato ao Conselho Nacional de Justiça, ela afirmou que as investidas ocorriam de forma periódica. Segundo a servidora, testemunhas teriam presenciado momentos em que ela deixava o gabinete chorando ou pedindo ajuda. A mulher afirmou que temia perder o emprego e, por isso, não pediu demissão, apesar de considerar a possibilidade diversas vezes.

A investigação está em andamento e ainda não há acusação formal. A tipificação das condutas poderá variar de importunação sexual a crimes mais graves, como assédio sexual, a depender da conclusão das apurações e da atuação do Ministério Público Federal.

Defesa e manifestação pública

Após o afastamento, a defesa de Buzzi declarou que o ministro é inocente e classificou a medida como desnecessária, “sobretudo diante da inexistência de risco concreto à higidez procedimental da investigação e também porque o ministro já se encontra afastado para tratamento médico”. A defesa afirmou ainda que a decisão cria um “arriscado precedente de afastamento de magistrado antes do crivo do pleno contraditório”.

O ministro também encaminhou carta aos colegas do STJ. No documento, ele relata o impacto pessoal das acusações e reafirma sua inocência.

A decisão sobre eventual suspensão de remuneração dependerá da análise do TCU e de eventual manifestação do STJ. O caso amplia o debate sobre prerrogativas de magistrados e responsabilidade no uso de recursos públicos em situações de afastamento cautelar.

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