Ex-assessora é segunda mulher a denunciar Marco Buzzi e leva STJ a afastar ministro

Novo depoimento ao CNJ levou à decisão unânime pelo afastamento; magistrado nega acusações e diz confiar nas investigações.

O fato novo que selou o afastamento do ministro Marco Buzzi foi a denúncia de assédio apresentada por uma ex-assessora que trabalhou em seu gabinete no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O relato chegou ao conhecimento de integrantes da Corte no fim da semana passada e foi formalizado nesta segunda-feira, em depoimento ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O ministro nega as acusações.

A denunciante é funcionária terceirizada do STJ. Ela deixou o gabinete de Buzzi, mas permanece lotada em outra área do tribunal; sua identidade será preservada durante as apurações.

Decisão do STJ e medidas imediatas

Em reunião extraordinária na manhã desta terça-feira, os ministros do STJ debateram o caso e decidiram, por unanimidade, pelo afastamento de Marco Buzzi.

Mais cedo, o magistrado havia apresentado um atestado médico de 90 dias, gesto interpretado por colegas como tentativa de adiar o andamento das investigações.

Enquanto estiver afastado, Buzzi ficará proibido de frequentar o gabinete e de utilizar o carro oficial, mas continuará a receber o salário de R$ 44 mil.

Gravidade do relato e apurações

Para integrantes do tribunal, a nova acusação é considerada mais grave por se referir a fatos que teriam ocorrido dentro do próprio gabinete do ministro.

O CNJ informou que a ex-assessora já havia narrado o episódio a colegas, o que, na avaliação dos responsáveis pela investigação, reforça a credibilidade do relato.

Antes desse caso, Buzzi já havia sido acusado de importunação sexual contra uma jovem de 18 anos, em episódio ocorrido em Santa Catarina.

Investigações, defesa e nota do ministro

Com as novas informações, o ministro passou a ser alvo de apurações simultâneas no CNJ, no STJ e no Supremo Tribunal Federal.

Em carta enviada a colegas, ele afirmou estar “muito impactado com as notícias”, disse ter a “consciência tranquila, mas a alma muitíssimo agitada” e declarou confiar que provará sua inocência nos procedimentos em curso.

Em nota, a defesa informou que não comentaria o caso da ex-assessora por ainda não ter acesso aos detalhes, afirmando que o tema deve tramitar sob sigilo para a checagem adequada antes de qualquer divulgação.

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