Morte do general Nilton Cerqueira, matador de Carlos Lamarca e de guerrilheiros do Araguaia, é ignorada pela mídia nacional

Um dos principais nomes da repressão da ditadura militar aos movimentos de grupos de esquerda durante o período da luta armada, o general Nilton de Albuquerque Cerqueira morreu, no sábado (01/01), praticamente anônimo, ignorado pela grande imprensa nacional, apesar de seu histórico militar de grande repercussão no país, conforme informa parte de seu verbete no…

Um dos principais nomes da repressão da ditadura militar aos movimentos de grupos de esquerda durante o período da luta armada, o general Nilton de Albuquerque Cerqueira morreu, no sábado (01/01), praticamente anônimo, ignorado pela grande imprensa nacional, apesar de seu histórico militar de grande repercussão no país, conforme informa parte de seu verbete no CPDOC, da Fundação Getúlio Vargas, a seguir:

“Comandava em 1971 o Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) de Salvador quando chefiou a Operação Pajussara, que resultou na morte de vários militantes de esquerda, inclusive do ex-capitão do Exército Carlos Lamarca, então líder do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), organização clandestina que fazia oposição ao regime militar instalado no país em abril de 1964. Recebeu, por isso, a Medalha do Pacificador com Palma, do Ministério do Exército, atribuída a muitos participantes da repressão política.

Teve também participação destacada na repressão ao movimento guerrilheiro desencadeado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na região do Araguaia entre 1972 e 1975. Em operação realizada sob seu comando, foi morto, em dezembro de 1973, o grupo dirigente do movimento. Durante o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), foi condecorado, em 1974, pelo Ministério da Aeronáutica, com a medalha do mérito Santos Dumont, e pelo Ministério da Marinha, com a medalha do mérito Tamandaré. Em 25 de dezembro desse mesmo ano foi promovido a tenente-coronel e, no ano seguinte, recebeu do Ministério das Relações Exteriores a Ordem do Rio Branco.

De 1977 a 1980 comandou o Regimento Sampaio, no Rio de Janeiro. Em 31 de agosto desse último ano foi promovido a coronel, e em 1981 assumiu o comando da Polícia Militar fluminense, durante o governo de Antônio de Pádua Chagas Freitas (1979-1983). Medidas assistenciais a viúvas de policiais mortos, bem como as premiações por “bravura” marcaram sua passagem no comando da PMERJ. Notabilizou-se também pelo grande número de oficiais que puniu por envolvimento em corrupção, alguns dos quais foram submetidos à execração pública. Episódios como os casos de tortura no presídio da Ilha Grande denunciados pelo cardeal dom Eugênio Sales e a revista constante de freiras da Pastoral Penal, entre outros, levaram a gestão de Cerqueira à crise.

Em fins de abril de 1981, negou-se a enviar tropas para garantir a segurança do show comemorativo do Dia do Trabalho que se realizaria no Riocentro sob o patrocínio do Centro Brasil Democrático (Cebrade), entidade de oposição ao governo militar. Os organizadores esperavam uma platéia de mais de 20 mil pessoas, que de fato compareceram ao evento, na noite de 30 de abril. Durante o espetáculo, uma bomba explodiu no interior de um automóvel parado no estacionamento, matando um de seus ocupantes e ferindo gravemente o outro. Como ambos eram militares e estavam fora de serviço e à paisana, estabeleceu-se a suspeita de que estavam envolvidos numa tentativa de atentado à platéia. Inquirido a respeito das razões de sua recusa em enviar policiamento, Cerqueira disse ter considerado que não valia a pena deslocar soldados da PM para a festa, “ainda mais porque o espetáculo tinha o patrocínio de um organismo de tendências marxistas”. Foi aberto um inquérito sobre o caso, que seguiu um rumo tortuoso. Ao final, ninguém foi responsabilizado.

O general Braga Neto, Ministro da Defesa do Governo Bolsonaro, divulgou nota de pesar pela sua morte elogiando suas ações durante a ditadura militar.

Eis íntegra da nota:

NOTA DE PESAR

“É com profundo sentimento de tristeza e pesar que a Defesa e as Forças Armadas manifestam pêsames pelo falecimento do General de Brigada R1 NILTON DE ALBUQUERQUE CERQUEIRA.

O General foi declarado Aspirante a Oficial do Exército Brasileiro em 1954. Durante sua vida militar de dedicação à carreira das armas desempenhou, na ativa, diversas missões, destacando-se o comando do tradicional Regimento Sampaio, o 1º Batalhão de Infantaria Motorizado (Escola); o Comando Geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro; e o Comando da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada (Escola), na Vila Militar de Deodoro. No exterior, desempenhou o cargo de Adido Militar junto à Embaixada Brasileira em Quito, no Equador.

Além de relevantes cargos que exerceu durante sua exemplar trajetória no Exército Brasileiro, na reserva, presidiu o Clube Militar por dois mandados; foi eleito deputado federal, em duas legislaturas; e chefiou a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, demonstrando o mais puro sentimento de patriotismo e civismo, prestando inestimáveis serviços ao Estado brasileiro com honradez, coragem moral e integridade.

O Ministério da Defesa presta as condolências aos familiares e amigos do Veterano General, pela irreparável perda”.

Walter Souza Braga Netto – Ministro da Defesa

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